Melbourne

Melbourne
Melbourne

Foi cedo a chegada a Melbourne, proveniente de Sydney e o termómetro marcava 12º.
Fiquei no Miami Hotel, uma excelente escolha. Barato, limpo, com um pequeno bar e lavandaria e pessoal muito simpático. Logo no primeiro dia tive essa percepção. O check in era só ao meio dia mas aceitaram de imediato a minha entrada.

Queen Vitoria Market
Queen Vitoria Market

A manhã foi passada a visitar o Queen Vitoria Market na companhia de um  casal local, muito simpático.
Fizeram algumas sugestões de visita, para economizar e sentir a atmosfera local através do City Circle Tram uma linha de elétrico gratuita que faz o percurso na zona central e percorre alguns dos pontos turísticos mais interessantes.

City Circle Tram
City Circle Tram

Eles próprios disseram-me que preferem usar este serviço para relaxar, ver pessoas a sentirem a cidade.
Foi o meu passo seguinte. Descobrir a City Circle Tram para ter uma ideia geral.

A cidade é mais pequena que Sydney, vive-se com calma. Gente de várias origens e o centro não é dominado por executivos, também são menos visíveis os casais mistos. Muitas pessoas nas esplanadas, ruas comerciais e menos centros comerciais.

Baths
Baths

Mais tarde voltei a andar no tram que funcionou como hop on hop off. Uma das paragens foi nos Baths.
A fachada do edifício (construído em 1860) é bonita, em pedra castanha e amarela.
Deixou de ser um espaço público e o aceso é reservado a membros de um clube de fitness.

RMIT
RMIT

Pouco metros adiante destaca-se o RMIT, Instituto Real de Tecnologia de Melbourne.
As cores são fortes, as linhas da fachada sinuosoas. O primeiro edifício tinha pouca gente, o outro, no lado oposto da rua, estava a ter lugar um encontro de jovens num dos teatros. O tema era religião.

Desci a Swanston Street e visitei a biblioteca, a State Libray Victoria.

State Libray Victoria
State Libray Victoria

Fantástica. Começou a funcionar em 1854 e é uma das mais antigas em todo o mundo com acesso público.
A parte central é redonda, no rés do chão estava a principal sala de leitura com as mesas de madeira a convergirem para o centro onde estava uma estrutura de madeira, também redonda, com uma cadeira no centro, provavelmente para um vigilante.
O acesso a esta área estava vedado.
Quando da minha visita havia alguns leitores, não muitos e quase todos eram jovens. Usavam computadores e telemóveis para selfies. Silêncio para ler e silêncio para contemplar.

State Libray Victoria
State Libray Victoria

A biblioteca tem cinco pisos e as alas laterais tinham vista para a sala de leitura.
Nestas alas decorriam várias exposições com acesso livre. Uma era sobre Melbourne e a construção da biblioteca, outra alusiva à colonização britânica, a chegada dos ocidentais, os conflitos com os aborígenes, a corrida ao ouro e, a partir daí, o desenvolvimento de uma sociedade multicultural em Melbourne.
Uma parte da exposição era dedicada a Nel Kelly, um herói ou um delinquente, conforme a perspectiva, mas que chamou a atenção
para uma sociedade com profundas desigualdades – com origem religiosa – no séc. XIX. A exposição mostrava a armadura metálica que ele usou num assalto. Os outros disparavam mas as balas faziam ricochete.

 Federation Square
Federation Square

Em Melbourne é impossível não ver a Federation Square. Fica no centro da cidade, uma área muito ampla, com vários edifícios onde estão museus, cinemas, teatros e galerias. Toda esta zona foi renovada e apresenta uma arquitectura moderna. Servia também como ponto de encontro para locais e turistas e até manifestações, como foi o caso do Greenpeace Austrália que contestava os barcos de grande dimensão que transportam contentores.

rio Yarra
rio Yarra

Num dos dias que passei por aqui era domingo, dia de passeio de famílias e de encontro da comunidade polaca que tinha um evento na zona central. A festa tinha comida e bebida, artesanato e um palco onde se dançava e cantava. Centenas de pessoas assistiam agradadas pelo sol acolhedor que entretanto surgira. Outras pessoas preferiam as tendas com comida ao lado do rio Yarra que atravessa uma das zonas mais belas da cidade e inesquecível à noite.

Federação - interior
Federação - interior

O ACMI, Australian Centre for the Moving Image (mais uma vez com acesso gratuito) tinha uma exposição muito interessante e com muitos materiais alusivos à imagem. Alguns deles eram interactivo. Crianças, jovens e adultos interagiam com as várias demonstrações e, numa delas, várias lentes captavam o nosso movimento, criavam uma imagem panorâmica e enviavam para o nosso e-mail. Era muito divertida e concorrida.
A exposição abordava várias temas, a ilusão ótica, a imagem e o som, os primórdios da fotografia e do filme, a época de ouro de Hollywood, actores e actrizes famosos da Austrália, o documentário, a tv, os jogos, as redes globais e o digital. Gostei muito, didática e interessante, sem ser aborrecida. Todos os espaços tinham a preocupação de corresponder  às expectativas das famílias, em especial das crianças.

 St Paul’s Cathedral
St Paul’s Cathedral

A mesma constatação na St Paul’s Cathedral.
O templo anglicano é muito grande, de pedra, com um altar de talha dourada, vários locais de oração e, numa das alas, um pequeno espaço para as crianças brincarem.
Na Federation Square o difícil é escolher o caminho e o que visitar porque funciona como o coração da cidade.
Um dos passeios fáceis de fazer é ir ao Convention Centre principalmente para ver mais um edifício muito bonito, de arquitectura moderna.
O caminho é fácil, atravessar a Princes Bridge ao lado da estação de comboios, Flinders Street Railway Station

torre do Arts Centre Melbourne
torre do Arts Centre Melbourne

Pouco depois da ponte deparamos com o National Gallery of Victoria e pouco depois, vi um mercado de artesanato. Percebe-se facilmente onde estamos, em frente ao Arts Centre Melbourne que se destaca por uma torre metálica com cerca de 115 metros. O Centro começou a funcionar na década de 80 do século passado e, habitualmente, tem vários espetáculos de teatro, dança e música.

Num domingo solarengo foi muito agradável o passeio pela marina e pela zona comercial e de restaurantes ao longo do rio Yarra.
Muita gente a passear, os bares e restaurantes estão cheios e vários performers de rua chamavam a atenção.. No entanto, muitas das pessoas ocupavam o tempo a falar ao telemóvel ou a tirar selfies.
Outros optavam por se exercitar no remo. Equipas de jovens faziam o percurso do norte para southbay, passavam por baixo da Princes Bridge e, os treinadores, acompanhavam este percurso de bicicleta, com um megafone e davam orientações aos atletas sobre a postura, os braços, os movimentos, como afastar dos obstáculos...
Haviam passeios mesmo ao lado do rio e em alguns locais cais de embarque para barcos de cruzeiro.

bar no pilar da ponte
bar no pilar da ponte

Nesta zona há vários pontes (a maioria pedestres) e, no pilar de uma delas, funcionava um bar.
Próximo do casino, o Crown que ocupa uma área grande, o ambiente é menos calmo, com o trânsito automóvel.

anoitecer junto ao rio
anoitecer junto ao rio

Para quem a fotografia é um dos principais motivos de viagem, esta zona criou grande expectativa, em particular no anoitecer. Foi o programa do final de tarde num dos dias em que estive em Melbourne.
O efeito de espelho do rio ao anoitecer produz imagens muito bonitas. As várias pontes
Permitem perspectivas diferentes e um olhar com mais profundidade ao longo do Yarra.

Eureka Skydeck
Eureka Skydeck

Um outro lugar fantástico, nesta zona, que permite fotografias singulares é na Eureka Skydeck.
Era, na altura, um dos edifícios residenciais mais altos do mundo. 
A vista, a partir do 88º andar, é deslumbrante. As outras torres parecem objetos menores, deu para descobrir alguns jardins e a foz do rio.
Outra percepção nova é a dimensão da metrópole, é enorme, estende-se até se perder de vista.
Outra particularidade: as torres era apenas na zona central da cidade. Em redor eram prédios de poucos andares, excepcionalmente ultrapassavam uma dezena.

fotografos
fotografos

A partir das 19h aumentou a afluência ao Eureka Skydeck e facilmente se percebia porquê: queriam ver o pôr do sol. Às 19.30h havia uma agremiação de fotógrafos ao lado dos vidros com vista para o rio.
Quase de certeza que todos acharam que conseguiram fotos muito boas porque as condições atmosféricas eram propícias para fotografar um bom pôr do sol. Por outro lado, a vista era espetacular, mesmo apenas com a luz artificial, o cintilar nas ruas e nos prédios. O único problema eram os reflexos no vidro do  Eureka Skydeck
O acesso à torre custou 19.5 $Aud e pagava-se mais 12 para se ir ao deck. O acesso era a partir do 88º andar e consistia numa estrutura de vidro, com aberturas e era como se estivesse suspensa. Para provocar arrepios. Uma rede protege do exterior e, neste aspecto, não é a melhor opção para fotografar. É só mesmo para se ter a sensação de estar “pendurado” a cerca de 280 metros do chão.

noodles
noodles

Numa outra noite a opção foi visitar uma festa gastronómica, para além da Federation Square. O tema era noodles e tinha muita comida asiática.
Milhares de pessoas concentravam-se numa longa encosta, toda ajardinada. Esta área espandia-se para outras zonas onde além de música, havia pontos de venda de comida feita no local, bebidas, promoção de produtos de patrocinadores e muitas mesas e bancos, quase todas ocupadas por grupos de amigos e famílias.
Em contraponto, quando passei já noite dentro, em frente da estação de caminhos de ferro, duas carrinhas distribuíam roupa e comida a sem abrigo.
Estavam lá umas três dezenas. Há muitos sem abrigo em Melbourne, tal como em Sydney. Muitos deles passavam o tempo sentados ou deitados nos passeios, alguns pediam dinheiro, outros, nada. Apenas olhavam para quem passava. Não me lembro de ter visto algum de origem asiática.

docas
docas

Visitei as docas mas achei que não valeu a pena o tempo despendido. Igual a muitos outros locais urbanos renovados. Com uma roda gigante de onde se pode observar a cidade, um outlet comum e algumas zonas de entretenimento e restauração.
A marina não tinha muitos barcos e estava rodeada de prédios típicos de zona de dormitório.

Uma outra zona da cidade,mais interessante, é no lado contrário, onde há museus, amplos jardins e a Old Melbourne Gaol.

Old Melbourne Gaol
Old Melbourne Gaol

Muitos guias oficiais destacam a prisão mas, de facto, é mais para turista ver.
A entrada custou 25$ Aud.
A prisão começou a funcionar no séc XIX e só foi encerrada em 1994. Numa visão britânica e local, a prisão tem uma história “great”, os presos eram great” criminosos e tinham “great” histórias para contar. De um outro ponto de vista, espanta como um país como a Austrália tinha pessoas detidas nestas condições até 1994! Em celas com condições miseráveis, escuras, com tábuas em volta, uma pia e sem luz artificial.
A visita foi muito teatralizada, uma agente da policia brincava a fazer de má, com uma voz que deve chegar ao final do dia completamente rouca.
Parte da antiga prisão já não existe e passou a pertencer ao RMIT. No meio havia um pequeno jardim onde os estudantes tomavam banhos de sol.

Gastronomia: bairro chinês, claro. Mas também na Collins, uma zona comercial próximo da Federation Square. Tem muito comércio, passeios grandes, músicos a tocar na rua. Numa das passagens, faziam sucesso dois guitarristas a tocar música espanhola que intercalam com um pianista, do outro lado da rua e que também conseguia uma boa audiência.
Muitos turistas e locais aproveitavam esta zona para passear e visitar os centros comerciais.