Ópera

Temos tudo em Sydney.

Muitos postais ilustrados, dos quais se destaca Sydney Cove com a Ópera e Harbour Bridge, arquitectura clássica e moderna, uma dinâmica actividade cultural e bairros associados a .várias culturas de emigrantes. Ainda temos a praia e o entretenimento.

Sim, temos tudo isto mas, curiosamente, do que mais gostei foi da qualidade de vida, da convivência entre várias culturas de forma natural e harmoniosa.

sydney2e
sydney2i
sydney2m
sydney2p
sydney3f
sydney4m_bondi1b
sydney4m_bondi1c
sydney4m_bondi1d
sydney4m_bondi1j
sydney4m_bondi1l
sydney4o
sydney4t
sydney4y
sydney5a
sydney5j
sydney5p_chinatown1d
sydney5p_chinatown1m
sydney5p_chinatown1n
sydney5p_chinatown1q
sydney5p_chinatown1v
sydney5p_chinatown1z
sydney5s
sydney7c
sydney7d
sydney7h_aborigena1h
sydney7h_aborigena1m
sydney7h_aborigena1n
sydney7j
sydney8c
sydney8d
sydney8j
sydney8o
sydney8t
sydney9c
sydney9g
sydney_harbour1c
sydney_harbour1j
sydney_harbour1r
sydney_harbour1u
sydney_harbour2a
sydney_harbour2d
sydney_opera1b
sydney_opera1e
sydney_opera1f
sydney_opera1h
sydney_opera1j
sydney_opera1n
sydney_opera1o
sydney_opera1t
sydney_opera1v
sydney_opera1x
sydney_opera3c
01/52 
start stop bwd fwd

 

Sydney

Aborigene em Circular Quay
Aborigene em Circular Quay

A chegada foi a meio da manhã, num voo proveniente de Kuala Lumpur
O aeroporto parece antigo. Há muita gente a chegar e a polícia de fronteira é lenta.
Austrália, UK , USA e NZ para um lado. Os restantes para outro lado, que o mesmo é dizer para uma longa fila.
O segurança é pouco amigo das máquinas fotográficas e dos telemóveis. Com ar agressivo interpela uma jovem asiática para não fazer uso do aparelho.
Ao contrário, o taxista é simpático. De meia idade, pele branca e com ar gasto. Acolhedor, lamentou os aguaceiros e fez recomendações úteis, onde comer, lugares interessantes próximos do Ibis… O táxi custou 47 AuD.
O custo de vida é mais caro do que em Kuala Lumpur. O Ibis custa mais de 100 euros por noite e não é nada de mais. Abaixo da média e nem sequer tem acesso gratuito à internet.  Pequeno almoço nem falar. Está é bem situado, na Pitt Street, numa zona central. Próximo da chinatown e da estação central ferroviária e há muitos restaurantes e entretenimento. Um dos restaurantes, logo ao lado, é o Tiamo, tem internet gratuita, o que podia causar vergonha ao Ibis.
Para matar o jet lag, após um banho relaxante, ida para a rua. Com uma sandes e um café no Tiamo amanheceu o dia e é seguir em frente pela Pitt até ao porto.
As avenidas são largas e longas. Geométricas, pouco ou nada a ver com Ásia.

A influência britânica com a arquitetura  vitoriana é evidente. Edifícios altos, muitos arranha-céus metalizados que, por vezes, fazem vizinhança com prédios antigos de tijolo castanho.

Rua de Sydney
Rua de Sydney

Esta variedade também se verifica nas pessoas, multiculturais, de vários tons de pele e tamanho.  Sydney tem a sétima maior percentagem de indivíduos estrangeiros do mundo.
Os australianos, com o chapéu crocodile dundee dão nas vistas mais ainda porque são altos. Acho que até fazem de propósito, para marcar a sua identidade, “somos genuínos”. Uma parte significativa dos habitantes de Sydney são de origem asiática.
Conforme nos aproximamos do porto aumenta a frequência de pessoas de cor branca. Estilo executivos. Todos cheios de pressa, em particular as mulheres, talvez por ser dos vestidos justos ao corpo que parece dar maior ansiedade ao andar.
É o centro financeiro de Sydney, com muitos escritórios, banca e advocacia. Mais marcadamente ocidental, com restaurantes e pubs que são vulgares em Londres.
Depois de se atravessar a Alfred Street, muda radicalmente o ambiente.

Sydney Cove
Sydney Cove

Entra-se na antiga zona portuária, na Sydney Cove e o mundo relaxa. Em frente a baía, à esquerda, a ponte e à direita a Ópera.
O ambiente hoje é de relaxe mas na sua fundação foi o oposto. Foi aqui que se fundou a Austrália, com a chegada em 1788 do capitão Arthur Phillip e mais alguns britânicos para criar uma colónia penal.
Foi duro. Durante 22 anos muitos britânicos foram sujeitos a condições de grande privação e trabalhos quase forçados.
Hoje não, é um dos postais ilustrados e orgulho dos australianos.
Quando cheguei estava frio e as nuvens escondiam o sol. O brilho foi substituído pelo ambiente romântico.
Pouco depois, quando percorria a ponte, os aguaceiros passaram da ameaça à realidade.
Acedi à ponto através do The Rocks, a seguir há uma escadaria num túnel, dois pisos, nada de mais.
O acesso à Sydney Harbour Bridge é vigiado por câmaras e está escrito numa placa que o caminho é seguro. 
É um percurso muito frequentado. A zona pedestre fica ao lado da via rápida e há turistas e locais a caminhar nos dois sentidos. A estrutura metálica tem uma “parede” de rede e dificulta as fotos com a perspectiva da baía.

A Ópera e Sydney Cove
A Ópera e Sydney Cove

A vista é fantástica. Bares, passadiços e zonas verdes em terra firme. No porto está ancorado um barco enorme de cruzeiros, muitos cacilheiros a rasgar a baía, ferries e embarcações mais recentes que servem para excursões ou de táxi.
Do outro lado da baía, o edifício da Ópera, é fascinante.
Quase no final da ida começou a chover com insistência. Alguns vigilantes refugiam-se numa torre. Fiz o mesmo. É um ponto de acesso a uma torre tipo vigia.
Pouco depois a chuva abrandou ligeiramente e o cinzento metálico tinha um pouco mais de brilho.

Escalada na Sydney Harbour Bridge
Escalada na Sydney Harbour Bridge

Lá no alto da ponte, nos arcos centrais, grupos de meia dúzia de pessoas, fazem a subida na estrutura metálica. Dá para ir até ao alto, na zona central, onde estão duas bandeiras.
As pessoas têm equipamento próprio, estão protegidas, mas é preciso alguma coragem para fazer o percurso com o vento e o frio que se faz sentir.
A ponte demorou oito anos a construir, tem mais de 53 mil toneladas de aço e foi inaugurada em Março de 1932. Foi o realizar de um sonho que demorou meio século. No entanto, a escalada na ponte só foi autorizada a partir de 1998. Relata quem já esteve na zona central, no ponto mais alto, que num dia de boa visibilidade, é inesquecível a vista da baía.
É possível fazer reservas.
O regresso foi também pela The Rocks.

The Rocks
The Rocks

Os condenados, mal começaram a chegar a Sydney, partiram pedra e fizeram muitos trabalhos forçados nesta zona.  A maior parte dos prédios foram construídos com as rochas escavadas desta zona, próximo da baía.
Desde muito cedo que a reputação ficou associada a prostituição e marginalidade. Até chegou a ser dominada por um gangue denominado Rocks Push.
O caminho das enfermeiras dá para uma rua muito estreita onde algumas figuras coladas à parede descrevem as características dos habitantes e as figuras de marginalidade que ficaram na história do bairro.
Após uma acentuada degradação vários prédios foram sucessivamente demolidos e feitas novas construções. No  entanto,  foi apenas no final do século passado que toda esta zona foi reconvertida com uma grande variedade de espaços, em particular galerias de arte.

Campbell’s Cove
Campbell’s Cove


É um dos locais de maior interesse turístico e local de passeio para os que vão cear aos restaurantes junto à baía.
É, por isso, um percurso para fazer à noite, ao longo do cais, a Campbell’s Cove até contornar o extremo da cidade por debaixo da Harbour Bridge.

Há muita gente a circular. Vão para os restaurantes e pubs. Em particular na Campbell’s Cove onde foi restaurado um complexo urbanistico coonstruído nos finais do séc. XVIII pelo escocês que deu nome a esta zona.
Os prédios de pedra estão virados para a baía, têm uma vista espectacular e com esplanadas no rés do chão com uma luminosidade muito suave.
 Quase toda esta zona está neste tom. Suave. Há casais a passear, um deles deve ser de recém-casados e estão acompanhados por um fotógrafo.


debaixo da Harbour Bridge
debaixo da Harbour Bridge

A vista é de não esquecer. A Ópera, a baía, as luzes dos ferries, a ponte… 
Depois de passarmos o Hyatt, acompanhando a Hickson Road, a perspectiva mais interessante é para o outro lado da ponte. Do lado esquerdo do pilar, está a Luna Park Sydney.  
Um enorme espaço de lazer que à noite se destaca devido à intensa luz e às cores vivas das rodas, montanhas russas… que se projectam no rio. 
Por baixo da ponte, fortuitamente, passam grandes navios de cruzeiro que vão atracar noutra parte da baía.
Do lado direito do pilar, a vista refugia-se nas luzes da zona residencial de Kirribilli.



Uma outra zona muito agitada a partir do final da tarde é a área financeira, entre a Georges e a Sydney Cove.

A noite de quinta-feira
A noite de quinta-feira

A noite começa a animar à quinta-feira. Muitos pubs, alguns deles enormes. Mais uma vez não consigo perceber como conseguem conversar devido ao volume ensurdecedor da música ambiente.

Ao final da tarde as mulheres - mais de origem europeia mas também há asiáticas - usam saia preta, com uma ligeira racha atrás. Justas ao corpo. Parece uniforme. À noite usam vestidos pretos. As mais jovens alternam com mini saia, sapatos altos e cabelos multicolores. Tal como em Hong Kong, muitos casais estão aprumados a rigor. Roupa clássica, de gala e estão à beira da rua a aguardar por um táxi.
Na zona próxima da chinatown o ambiente é diferente. Muita gente nova a vaguear. Restaurantes de fast food estão cheios, pequenos grupos de jovens próximo da entrada de cinemas e lojas de conveniência com vendedores asiáticos são uma presença obrigatória em cada quarteirão. Na zona interior da chinatown o comércio continua activo durante a noite.
Durante o dia também é maior a azáfama nesta zona da cidade.


Mercado Central
Mercado Central

A começar pelo Mercado Central, mesmo ao lado da chinatown. O piso superior está repleto de galerias de roupa, artesanato e bijuteria. No piso térreo vendem-se vegetais, carne, peixe e frutas.
O mercado é policiado, é grande, com várias entradas e está dividido por secções. Não há apenas vendedores asiáticos, também aqui se verifica o multiculturalismo.
É um instante a passagem para o centro da chinatown a partir do mercado central. Uma das ruas principais está toda engalanada com materiais vermelhos e dourados.

chinatown
chinatown

Muitos vendedores de rua de comida fazem concorrência aos restaurantes que é quase porta sim porta sim. A gastronomia não é apenas chinesa. Há restaurantes que destacam no seu menu comida da Coreia, Vietname… em geral do sudoeste asiático.

No final da rua, um bonito quiosque de turismo. Todo vermelho e os recortados combinados com a luz provocam  silhuetas de figuras chinesas.
É nesta zona que fica um dos restaurantes mais conhecidos da chinatown: o Mother Chu's Vegetarian Kitchen. Fica no 367 da Pitt St, um pouco acima do Ibis. Jantei lá. A comida é bem confeccionada, o serviço é rápido e o atendimento é “frendly”. 
Um bom jantar por 25 Aud.
Ao lado da chinatown, a caminho de Harbour Darling, há ainda o jardim chinês da amizade.
Entramos no oposto do ambiente desta zona. Calma, contacto com a natureza, o som leve da água a escorrer, casas tradicionais e envolvidas num cenário verde e reflectidas nos lagos… O oposto da agitação da chinatown e do outro espaço vizinho: a Darling Harbour.
É um centro de entretenimento, Tudo novo, com cafés, gelatarias, restaurantes, lojas, hotéis, passeios, pavilhões, aquário, zoo… ruas pedestres, tudo em volta da baía.

Pyrmont Bridge
Pyrmont Bridge

É aqui que se encontram os hotéis mais luxuosos, os restaurantes com gastronomia mais refinada e também vários casinos.
Edifícios altos, de materiais modernos e que de noite ficam engalanados com luzes a refletirem-se na água cercam o espaço que mais se assemelha a uma concha.
A concha fecha com a Pyrmont Bridge. Uma via pedestre que marca o território do entretenimento. Para lá da ponte, do outro lado da baía é uma zona portuária vulgar com várias embarcações militares.

A Pyrmont Bridge é muito frequentada. Mesmo com imenso calor há gente a fazer marcha, a correr… e muitos turistas. O local dá para fotos urbanas muito interessantes e de noite é fantástico com os imensos reflexos na água.

Hyde Park e torre
Hyde Park e torre

Depois da ponte há um outro percurso interessante. Um pouco longo mas pode-.se fazer com calma.

Um quarteirão após a saída da ponte temos a torre.  Não é fácil de visitar porque costuma ter filas. A vista é muito bonita mas nada de mais. 268 metros acima do solo a ponte reserva outra experiência: Skywalk.
Seguindo em frente, depois do Hyde Park passamos pela Hospital Street, onde encontramos edificios com arquitectura colonial, e entramos no Jardim Botânico, designado por Royal Botanic Gardens.
O jardim é enorme, tem 34 hectares e tem uma óptima localização. Imenso espaço verde, jardins, lugares de entretenimento e recreio, espaços para actividades culturais e desportivas, na terra e na água e, no final, o caminho termina na Ópera.

Royal Botanic Gardens
Royal Botanic Gardens

No dia em que visitei o Jardim fazia imenso calor. Todos os bancos com sombra estavam ocupados. Num relvado amplo aproveitei a sombra e estiquei-me na relva. Relax. No mesmo espaço aberto duas mulheres apanhavam sol e um casal fazia uma pausa na sombra.
No meio do parque há um centro informativo com restaurante e café. Dá para fazer uma pausa e isolar do meio urbano. Tudo em redor é verde.
Parte do caminho é feito ao lado da água. Refresca.
Mais relaxado, pelo via pedestre, seguem muitas mais pessoas. Todas com o olhar em frente. A Ópera esmaga.

Ópera
Ópera

Ópera de Sydney é de facto muito bonita.
A construção foi uma longa peripécia mas o resultado é fantástico.
Os custos, as derrapagens, o olhar para o imediato… tudo pode servir de atenuante, mas transfiro para mim próprio a amargura que deve ter sentido Jørn Utzon, o arquitecto dinamarquês que criou uma obra inesquecível e que ele nunca chegou a ver directamente. Jørn Utzon deixou o projecto em 1966 devido a problemas financeiros colocados pelo governo australiano, regressou à Dinamarca e recusou ir à inauguração em 1973. Três décadas depois, já reconciliado com a Fundação da Ópera de Sydney, recebeu um Pritzker Prize.

Ópera
Ópera

O perfil nórdico do arquitecto sente-se nos materiais utilizados e na simplicidade das estruturas decorativas.

O génio vai dos pequenos detalhes até ao conjunto onde sobressaiem as conchas, as formas esféricas brancas que constituiram um quebra-cabeças para os engenheiros.
Cercada pelo Pacífico, a Ópera tem vista para a ponte. Do outro lado, o enorme jardim botânico faz contraponto com as torres que servem de muralha ao cais de onde partem os ferries.

Ópera
Ópera

À noite a vista é igualmente espetacular.
A luz reflete-se na água.
A Ópera é mais discreta, simples, com um ligeiro reflexo na água que é ligeiramente ofuscado pela luz mais intensa dos ferries.
Sempre muita gente. Muitos turistas, muitas gopro e muitas selfies.
Vários restaurantes e bares vão aumentando de frequência com o surgir da noite.

passeios na Ópera
passeios na Ópera

Um deck na zona pedestre está cheio de jovens executivas.
No interior da Ópera é altura de um concerto. Começa a chegar muita gente. A maior parte são pessoas de idade. Partilho o jantar com algumas dessas pessoas numa mesa do bistro Mozart.
Muitos conhecem-se e trocam cumprimentos e apartes. Eles têm um ar mais descontraído. Elas rejuvenesceram uns anos. Parece a Gulbenkian.
Participei numa visita guiada à Ópera. Tinha grande expectativa mas o resultado não correspondeu. Custou 34 AuD, demorou cerca de uma hora e o mais interessante é a história do edifício que podemos  igualmente consultar na Wikipedia. Nada de mais.

Visita à Ópera
Visita à Ópera

O percurso não revela elementos novos, sensações particulares. Não há acesso a espaços reservados, camarotes ou outros lugares de maior interesse.
Apenas um passeio por três corredores e entrada em três salas de espetáculo de forma muito reservada porque havia trabalhos de montagem a decorrer.
Nada de fotos, nada de sair da linha, descobrir materiais, perspetivas…
No final fica-se com uma sensação desagradável, de alguma frustração face à expectativa de descoberta da história, dos protagonistas, da engenharia, do esforço dos trabalhadores manuais… não fica nada.
Para compensar, que se aproveite o anoitecer com fotografias do ambiente e da baía.
Centenas de pessoas vagueiam por aqui. Umas vão beber um copo, outras jantar, e muitas outras contemplar a Ópera. Como o edifício é muito grande e contorna a baía, dá para andar, andar e não sentir o desconforto inicial do barulho e concentração de pessoas.
O olhar para o edifício cativa a atenção, consoante a caminhada, porque muda a perspectiva, as cores, a descoberta do interior.

Vista a partir da Ópera
Vista a partir da Ópera

Mas olhar para o outro lado, para a baía, é igualmente um exercício sedutor.
Ferries vão e vêm, a ponte reflete-se na água e na Circular Quay os edificios altos decoram a vista com imensas e variadas luzes.
A partir daqui, do cais da Circular Quay, podemos fazer um percurso interessante (e barato) que nos dá uma perspectiva diferente da cidade e em particular da Ópera.
É uma viagem num dos ferries que partem de Circular Quay. Há muitos destinos e opções.

Neutral bay
Neutral bay

A minha prioridade era fotografar a baía, a Ópera e a ponte ao anoitecer.
 Perguntei no ponto de venda do cais um percurso ao lado da Ópera. A senhora sugeriu Neutral Bay.
O bilhete ida e volta custa 12 AuD e  a distância é de cerca de 1,5 km a norte de Sydney.
Parti às 18.25, o tom da luz era mais suave e as sombras ofereciam mais relevo.. A perspectiva também era muito diferente. Cidade com rio ou mar tem de ser fotografada a partir da água.

O barco atracou em vários cais e chegou a Neutral Bay 15 minutos depois.

Fiquei apenas na zona do cais. A vista a partir daqui é interessante. Neutral Bay, nesta zona, tem alguns edificios junto ao mar, uma marina com cais privativos e uma vista ampla para Sydney e para outras ilhas e istmos. O local corresponde ao nome: Neutral, porque aqui ancoravam os barcos estrangeiros na época colonial.
Decidi regressar um pouco mais tarde. Na embarcação seguinte. Fizemos paragens rápidas no Kurraba Point e em Kirribilli.

Ópera
Ópera

De novo fotografias à ponte, à Ópera, à baía, aos ferries, ao rendilhado de luzes na zona urbana, aos reflexos na água… vai ser difícil a escolha e demorada, muito demorada a edição das fotos.
É inesquecível. Primeiro a perspetiva foca-se na ponte e na Ópera. Depois, quando nos aproximamos, o barco passa relativamente próximo da Ópera. O fio da viagem muda a perspetiva, as cores, a luz, o relevo. O fundo escuro, o branco sujo e a iluminação suave fazem da estrutura uma concha a abrir.


É aqui que começa o dia. A Europa dorme e a América ainda trabalha. Como tudo o que se passou já foi “ontem” nem apetece ver as noticias.

O sol nasce cedo e vai embora por volta das 19.30h. Tempo de Primavera. No entanto, é como na Cidade do Cabo. Num só dia cabem todas as estações.
Num dia que começou nublado, ameaçou chover e pouco depois o sol tornou-se dominador, optei por um hop on hop off. Na Georges comprei o bilhete para o Explorer que tem dois percursos. Um na cidade, outro vai até Bondi Beach.
Comecei na vista à Sydney e na paragem do Museu Nacional transferi-me para o Bondi Beach. Valeu a pena  o investimento de 40 AuD.
Kings Cross e segue-se em direção à zona Este. Áreas residenciais de valor acima da média, casas ajardinadas, estacionamento privativo…  Na Ásia quase todas as casas deste género têm muros de proteção, redes e grades nas janelas e portas. Aqui não.
Depois da área residencial começa a dominar o verde, encostas altas e do outro lado o mar.

Bondi Beach
Bondi Beach

Um pouco ao longe já se vê a Bondi Beach.
Fica apenas a cerca de 10 km do centro de Sidney mas a mudança de ambiente é radical.
Uma descida em direção ao centro da localidade já dá para ver o areal.
Junto à estrada muito comércio com fast food e vestuário de praia. Alguns dos edifícios mais altos servem alojamento, é o caso do hotel Bondi que se destaca pela torre com o relógio e nas zonas mais protegidas encontramos moradias de luxo.
No outro extremo da praia nova concentração de casas que se espraiam pela colina à beira mar.
O acesso ao areal pode ser feito através de um parque e há muita gente que aproveita a sombra para descansar ou saborear uma bebida e fast food. As gaivotas também aproveitam as migalhas.

Surf na Bondi Beach
Surf na Bondi Beach

Há vias pedestres e são muitos os locais que fazem jogging. Estão sempre a ir para lá e para cá. Indiferentes à rotina dos visitantes.
O areal tem cerca de um km de extensão, areia branca e o mar com boa ondulação para o surf. Havia, aliás, mais gente a praticar surf do que no areal.
É uma das praias mais conhecidas na Austrália e visitada por milhares de turistas.
 Aparecem aos magotes, em excursões. Muitos asiáticos. Posam para selfies com o verde do mar no horizonte.
 Os guias dizem que a água é fria mas não me pareceu. Se o valor de referência é o Atlântico, não é mesmo fria.
 A bandeira estava a duas cores, amarela e vermelha. Fiquei próximo do nadador salvador. Em cima de uma mota emitia sons e esbracejava em direcção aos surfistas. Queria-os mais para trás e para a direita.

Rose Bay
Rose Bay

No regresso da praia de Bondi a Sydney há dois pontos que não se podem perder. Um é em Rose Bay. Há uma vista magnifica do porto com a Ópera e a ponte numa mesma perspectiva.
Outro ponto é Double Bay é uma área muito arborizada, com muitos edifícios com traça tradicional, de madeira e também casas de luxo com cais para a marina comércio para gente endinheirada…
Um pouco o oposto da densidade urbana e turística em alguns percursos entre Potts Point e a ex-operária Millers Point.
Muito se constrói, em particular em Darling Harbour.
Deve ser devido aos lucros dos casinos.
 Mais há ainda para construir. Algumas áreas estão em profunda renovação com muitos trabalhos de construção civil.
Fiquei um pouco surpreendido, há muitas pessoas de origem ocidental nas obras. Grandes e pequenas empreitadas. Os taxistas e condutores de autocarros são maioritariamente asiáticos. Quebra um pouco a ideia comum a muitas cidades da Ásia de que os trabalhos manuais são ocupados quase em exclusivo por asiáticos, com salários mais baixos.

Town Hall
Town Hall

Nas ruas de Sydney é também frequente ver casais mistos.  Não parecem ser encontros fortuitos como em outras cidades do sudoeste asiático.
Um dos lugares muito frequentados ao principio da noite é a Georges. 
Passei por lá várias vezes. Depois de um café numa 7Eleven para se fumar um cigarro na rua. 
Há muita gente a passear por aqui ou a apanhar transportes públicos, em particular o metro na estação Town Hall.
A estação fica mesmo em frente à sede do município, um edifício vitoriano construído no final do século XIX.
Tem uma torre muito alta e está quase sempre iluminado.

músico de rua
músico de rua

Nesta zona, como em muitas outras da cidade, em particular durante a noite, há músicos de rua. Ponto comum; som pesado. Percebe-se o sucesso das bandas australianas de hard rock.
Sydney é uma cidade com uma grande atividade cultural. Se durante a noite encontramos músicos de rua, teatro, cinema… durante o dia a agenda cultural também é muito diversa.
Há muitas galerias e também espaços públicos, do município ou do governo regional.
Por exemplo, na zona do Museu Nacional há uma grande variedade de oferta. A começar pelo próprio museu que tem imensos espaços com coleções permanentes e exposições temporárias. É muito frequentado e está bem localizado.

ANZAC
ANZAC

Próximo da torre e do Hyde Park cujos passeios estão quase sempre cheios de gente, está o ANZAC, o memorial ao contingente de forças militares da Austrália e da Nova Zelândia que participou na I Guerra Mundial.

É um edificio em cimento, com um lago e uma longa escadaria.
Sentar nas escadas é ofensivo. Os australianos herdaram muitos dos valores britânicos. Muito orgulho. Tudo o que fazem é magnifico. É a mensagem do memorial, do museu, da Ópera. Em quase tudo o que têm para mostrar. É tudo great.
Esquecendo este orgulho british deve-se reconhecer, pelo menos, que a escultura Sacrificio é interessante. A peça é em bronze, da autoria de Rayner Hoff e a nudez do soldado não reuniu o aplauso da sociedade local quando da inauguração do memorial em 1934.
Na Sydney Cove há também muitos espaços culturais para visitar. Além da Ópera e das galerias na The Rocks, logo à entrada temos o Museu Nacional de Arte Contemporânea.
Não é muito grande, tem dois pisos e a entrada é livre.
A arquitetura exterior é interessante e o interior é despretensioso. Simples e eficaz qb.

Martu Art from the Far Western Desert
Martu Art from the Far Western Desert

Fiquei fascinado com a exposição Martu Art from the Far Western Desert. Os Martu são uma comunidade aborígene, segundo o curador da exposição a pintura faz parte de uma atividade social e o que mais me fascinou foram as cores e a ausência de traço.
São pinturas elaboradas. os espaços, os elementos, os sonhos e a visão do mundo por parte de artistas aborígenes que nos contam a sua história, o seu olhar com uma simplicidade esmagadora. Não há traço. Há pigmentação linear ou sequencial com um fantástico efeito estético. Cores vivas, geometrias variável, pontos que contrapõem linhas.
Algumas pinturas têm mais do que um autor.
Numa outra sala, os trabalhos expostos têm uma postura mais critica. Fria. Para com os militares e os colonos britânicos sobre o que fizeram aos aborígenes. Há uma grande diversidade de trabalhos e resultam de uma seleção de jovens artistas. O nome da exposição, Primavera, é bem conseguido.
No piso superior está a coleção permanente. Fotos, pinturas, instalações… Uma grande diversidade de trabalhos. Duas recordações ficaram-me na memória.
Uma instalação com caixotes de papelão, em redor da foto de um homem. Em cada caixote há um utensilio. São todos amarelos.


Vista do bar do Museu
Vista do bar do Museu

A segunda recordação é o bar do museu.
Tem uma vista fantástica da ponte, da baía e da Ópera. Sem problemas: um café (se quiser ótima sobremesa) e minutos de contemplação. Por vezes o silêncio é quebrado por algum grupo mais expansivo, pelo apito de um barco ou pelo didgeridoo que é usado por um grupo musical de origem aborígene.
Eles costumam estar mesmo à entrada da Sydney Cove, junto a uma zona verde. 


membro dos Animistix
membro dos Animistix

São os Animistix e na altura estavam a promover o álbum Transmutation.
Um dos aborígenes é bom no marketing. Posa para as fotos, em particular quando comprei um cd. Mas também o faz para os turistas, convida as crianças para se sentarem à sua frente a os pais captam o momento na máquina fotográfica ou de filmar enquanto ele vai mudando a pose. Tudo isto com a música em fundo. Um outro aborígene está sentado a seu lado e soprar no didgeridoo e o terceiro elemento, com ar ocidental, marca o ritmo com dois paus a bater no marco metálico que separa o passeio da rua.
Este grupo pertence a uma comunidade de artistas e agentes culturais com raízes aborígenes.
Aqui próximo, mesmo em frente à bilheteira dos ferries, um outro grupo também promove a cultura aborígene com musica e artesanato. Em Sydney (e nas outras cidades que visitei) não é frequente. Há muitas lojas com produtos aborígenes mas pertencem a cadeias de distribuição ou de retalho. Propriedade ou gestão de aborígenes é muito raro. Na verdade, é mais frequente ver aborígenes a dormir na rua, desamparados ou solitários.
Não são os únicos. Há muitos sem-abrigo, a maior parte de origem ocidental. Não vi um único de origem asiática.
Um dos locais com maior concentração é na estação Central de comboios de Sydney
Não fica muito longe do Ibis, o edifício identifica-se rapidamente devido à sua construção antiga, uma arcada em metal e uma torre muito alta (75 metros de altura) com um relógio.
Quando se chega à estação o filme muda. Passa a preto e branco.
Na baía de Darling Harbour reparei que não havia um único saco de plástico, uma lata ou qualquer outro tipo de lixo na água. Na estação é diferente.
À entrada restos de cigarros.
Um sem-abrigo está deitado na esquina com um cartão a tapar o rosto.
Um homem fuma de queixo levantado para evitar que o fumo contagie uma ave verde que está pendurada no colarinho da sua camisa. Com alguma frequência afaga a ave.
Pouco depois sou abordado por um homem que diz qualquer coisa. Só percebi café, Acenei que não. Ele, olhos nos olhos, comenta: “seriously!”. Não respondi, ele deu entretanto alguns passos atrás e cravou um cigarro a uma mulher que tinha acabado de enrolar o tabaco.
Pouco depois chegaram três homens relativamente jovens. Um deles aparentava estar alcoolizado. Parecia o mastro de um pequeno barco em dia de vendaval. Não sei como não caiu. Encostou-se entretanto a um poste e, lentamente, foi escorregando até se sentar. Tinha a mão na boca ou no nariz e não dizia nada. Ao contrário, um dos outros homens, só lhe clamava “you are crazy, crazy”. O terceiro teve de se socorrer a si próprio. Tinha uma ligadura numa mão, estava a fumar e não sei como, a ligadura começou a arder. Deu um berro, agitava o braço (o que fazia a chama aumentar). Quanto mais rápido agitava a mão mais rápido a ligadura era destruída. Com a outra mão teve de retirar os pedaços que se desfaziam e tapar o resto da ligadura com a roupa. Finalmente conseguiu parar as chamas.
Voltei para o interior da estação. Poucos turistas, poucos jovens, poucos mochileiros. Gente com mais idade e mais pobres.
Um homem com dois sacos, gordo, meio calvo, tirou uma maçã e um pano. Passou o tecido pela testa e pela calvície e depois limpou a maçã. Ainda fez mais operações de limpeza com o pano….
Entretanto, o homem com a ave pendurada no colarinho entrou e saiu várias vezes. Algumas pessoas sorriem e ele cumprimenta-as.

XPT train
XPT train

Eu estou sentado na gare a fazer tempo para apanhar o comboio rápido para Melbourne que tem um nome bonito: o XPT train
Faz a viagem durante a noite, parte de Sydney às 20.30h e chega a Melbourne às 07.25h
Um bilhete em económica custa 130 AudD.
Parte da linha 1.
É em direção a esta linha que seguia uma mulher toda dobrada. Estava a falar para um telemóvel. Oscilava, quase que caia para o lado onde tem o telefone.
Vejo-a mais tarde quando o XPT  está quase a partir. Transportava vários sacos e estava acompanhada por um rapaz. Ela também é relativamente jovem. Dois empregados aproximaram-se e fizeram perguntas. Ela ficou muito agitada. Procurava qualquer coisa nos bolsos, nos sacos, na carteira. Sem cessar. O rapaz soletrou um nome, um dos empregados percorreu uma lista mas, nada. O rapaz voltou a soletrar, W, O, I… Juntou-se uma mulher , também funcionária dos caminhos de ferro. Ficou consternada ao ver a jovem no chão a remexer nos sacos. Ela tirou plásticos, carteira, copos de papel, meteu as mãos na cabeça… Gritou para o rapaz que entretanto se afastou. A mulher dá-lhe uma indicação, ela responde com uma pergunta, a seguir com um gesto. A mulher acenou com a cabeça a dizer que sim. Deduzo que o diálogo terá sido: se encontrar o bilhete posso viajar no comboio? Sim. Mas, afinal, faltava encontrar o bilhete. A jovem voltou a revolver os sacos e pouco depois terá insinuado que vai entrar no comboio. Ela tinha razão, estava na hora da partida. A funcionária, já com ar menos condescendente, acenou a dizer que não e puxou de um walkie talkie. O comboio partiu, a jovem começou a gritar e os passageiros que assistiam à cena dentro da carruagem em frente, comentam quase em uníssono: oh, no!
Enquanto tudo isto se desenrola, passa ao lado um homem de meia estatura, todo vestido de preto, com um chapéu também escuro, com barba e duas tranças de cabelo que se arrastavam pelo chão.
Quanto à viagem, o melhor é esquecer já que, dormir não é possível.
Um homem ressonava que nem um porco. Desgraçada da mulher que ficou ao seu lado. O amigo dele seguiu atrás no banco ao meu lado. Não parava. Tinha um fetiche por bancos vazios. Por vezes falavam em voz alta, em especial quando os vizinhos faziam esforço para adormecer. Uma família, com duas crianças também meteu conversa com um australiano e decidiram atualizar  o encontro de ocasião, mesmo com as luzes fechadas.
A viagem tem 17 paragens. O empregado acorda com dez minutos de antecedência as pessoas que vão sair. Ele é muito simpático mas não evita que os outros passageiros também acordem.
O percurso foi quase todo de noite.
Deu para perceber que a Austrália é um país rural. Extensões enormes sem ninguém, pequenos povoados com habitações rasteiras, bombas de gasolina, farmácia, hamburguers..
Em alguns locais são visíveis veículos utilitários e zonas planas com gado, vacas ovelhas e llamas.
Fizeram bem em preservar as estações antigas. São de madeira, amarelas ou vermelhas e todas têm bancos onde está escrito o nome da povoação.
Só quando nos aproximamos de Melbourne é que muda a paisagem. São maiores as concentrações urbanas, as casas têm mais pisos e são construidas com outros materiais.