Petra - templos
Petra - templos

 

Fascínio. Deslumbramento. Perplexidade.

Fascínio porque é linda. 
O olhar fixa-se na pedra. 

Nas
cores, na textura, na decoração, no encadeado de formas.


Deslumbramento porque é surpreendente. 

UAU!  Passar o desfiladeiro e dar de frente com o Tesouro.

Caminhar e cada nova perspectiva deixava-nos boquiabertos. 

Não é preciso qualquer registo físico.
É inesquecível na nossa memória.


Perplexidade pelo engenho humano.
Petra (a "rocha" ) é uma fantástica obra de engenharia com dois milhares de anos. Como conseguiram?!

Petra - grutas
Petra - grutas

A proeza foi, essencialmente de um povo árabe, chamado Nabateus.

Uma tribo que três séculos antes de Cristo dominou esta região, deixou um importante legado na península arábica e fez de Petra a sua capital.


A cidade floresceu devido às rotas de comércio entre a China e o Ocidente, às caravanas de comércio, essencialmente sedas, especiarias e incenso. 


Chegou a ter uma área de 10 km e era uma das sociedades mais prósperas desta região.
Em troca de água, alimentos e abrigo, cobravam um imposto aos comerciantes. 

No séc. I foram conquistados pelos romanos.
O império deixou algumas marcas mas os vestígios mais importantes são anteriores, são dos nabateus.


Obelisk Tomb
Obelisk Tomb

Este povo tinha grandes conhecimentos de hidráulica. Conseguiu abastecer a cidade através de pequenos canais.

Eram visíveis no
Siq, o principal acesso a Petra.

É um desfiladeiro, por vezes estreito que faz a ligação do vale a Petra.


Foi, para nós, um caminho surpreendente. Logo de inicio tem a
Obelisk Tomb.

Petra - siq
Petra - siq

O Siq tem uma extensão superior a um quilómetro.

Por vezes tem uma largura de seis metros mas em algumas partes mais sinuosas estreita para três metros.

As rochas atingem quase uma centena de metros de altura.

O tom dominante é o vermelho/rosa mas muitas rochas têm cores mais claras.



O caminho, em parte, foi criado de modo natural. 
Em outros locais foi obra dos nabateus. 



De lado, cravado nas rochas e a cerca de um metro de altura, encontrava-se um pequeno canal para transporte de água.

 Devido à enorme altura das rochas e às escarpas irregulares, em algumas partes dificilmente se via o céu

De repente, após se contornar uma das rochas e numa parte estreita, o nosso olhar deslumbrou-se com o Tesouro (al-Khazneh)

 

Tesouro
Tesouro

É talvez o mais conhecido dos 800 monumentos de Petra.
Entrou no nosso imaginário no filme Indiana Jones e a Última Cruzada.

A fachada, helenística, com colunas, está cravada na rocha. 
Tem 40 metros de altura e 30 de largura.
A pedra é toda cor de rosa e terá sido construído um século antes de Cristo.




O tesouro é um mito. 

Acreditavam que na cripta, na parte de cima da fachada, estava escondido um tesouro. 

Na verdade, o edifício terá sido apenas um mausoléu de um rei nabateu.



O interior já quebrou a expectativa. 
Militares com roupa de gala estavam de guarda mas o interior era vazio. Três câmaras, em níveis diferentes. 
Uma delas abaixo do solo e via-se através de uma grade, antes de se entrar.


A parte que ficava à entrada era um quadrado. Em cada uma das paredes havia uma porta com a frontaria trabalhada em relevo na própria pedra.

O que impressionou mais foi a coloração da rocha. Em vários tons rosa. Como se fossem ondas que ficaram registadas na pedra.

 

 

Templo
Templo

O tesouro é o ponto de partida (ver mapa).
E
ste local costuma ter muitos turistas a tirar fotografias. 
A partir daqui, o percurso era mais amplo.


Entrámos na cidade pela Street of Facades. A via principal que nos levou ao centro de Petra. 

À descoberta da cidade de pedra. A cidade rosa. Ruas, escadas, grutas, palácios, templos, casas... tudo em tom rosa. 
Tudo numa textura invulgar.


Petra sofreu dois terramotos destruidores. O pior de todos foi em 551. 

Muitas habitações foram destruídas. 
O efeito foi menor com os templos, restando agora cerca de cinco centenas.



Quando visitei Petra, em 2006, no início do percurso havia pequenos pontos de venda de artesanato e água. Depois, só mesmo no final do vale é que havia um restaurante. 


Se continuar na mesma, é fundamental o abastecimento de água. 

A viagem vai ser demorada e cansativa. Com o sol forte, ainda mais desgastante.


 

Beduínos com camelos
Beduínos com camelos

Para quem tem problemas de locomoção os beduínos ofereiam a possibilidade de fazer a visita de cavalo ou de camelo. 
Havia dezenas. Para lá, para cá.... Velhos e novos a perguntar se desejávamos transporte.
Também o Siq podia ser feito com este tipo de transporte.


Na verdade, a melhor opção foi fazer o percurso a pé. 
Sentir as pedras. Entrar nas grutas. Subir as encostas e visitar túmulos construídos no interior das rochas. Em vários patamares. Como se tivessem dois andares. E de múltiplas formas. 
Ver a metamorfose das rochas. A cor rosa em pastel que depois se alonga em tons avermelhados.
Sentir o ambiente de uma zona árida dois milénios antes. Como seria viver aqui? As noites, o comércio de dia?

Teatro
Teatro

Após a passagem do Tesouro e os pequenos de ponto de venda de água, no início da Street os Facades,  o monumento que nos captou a atenção foi o teatro.

Também foi escavado nas rochas. 
Tem 45 degraus e a lotação deveria atingir seis mil pessoas.



Pouco depois, a vista do outro lado do vale a encosta era dominada pelos túmulos.



Os templos eram mais fáceis de identificar. 
Na fachada tinham um relevo em forma de pirâmide. O ponto central mais próximo do céu.

Corinthian Tomb
Corinthian Tomb

Os maiores mausoléus estavam no alto de uma montanha.

Um dos maiores era a 
Urn Tomb.

Uma
nave enorme com cores fantásticas. Em tons de amarelo.

Mais tarde foram construídos três arcos, levando a supor que foi transformada numa
igreja no ano 447.


Daqui usufruímos uma vista magnifica para o vale de Petra. 



Outro monumento que se destacava era a
Corinthian Tomb. 

Tinha uma fachada parecida com o Tesouro, com 28 metros de largura e 26 de altura.

O interior tinha quatro câmaras e a maior com 13 m2.

Por último, não pela grandeza, mas pela sua forma estranha, destacava-se a Silk Tomb.

As cores eram mais suaves. Com variações horizontais e uma pequena porta.

 

 

Vendedores - beduínos
Vendedores - beduínos

Podia-se descer esta montanha por uma zona onde andavam muitos beduínos. 

Era uma área sujeita a escavações.


Algumas família vendiam objectos,  souvenirs, artesanato. Um pouco mais à frente, por outro caminho alguns levavam os camelos para os seus acampamentos.



Na parte mais baixa do vale, mudámos de ambiente.

 

Colonnaded Street
Colonnaded Street

Deparámos com a Colonnaded Street,  o maior legado romano.


Era o ponto central de Petra. A zona comercial. 

Os vestígios conseguidos pelas escavações são de um caminho romano, com enormes colunas e no final o que resta dos arcos, a Arcade Gate.

Depois, fizemos uma pausa no restaurante para restabelecer energias. O que se vai seguir prometia ser mais cansativo.

Ao longo deste percurso havia mais pontos de interesse. Está aqui umalista..


A caminhada seguinte foi até Al-Deir, o Mosteiro.

 

Subida para o Mosteiro
Vista do vale na subida para o Mosteiro

Foi um longo e exigente exercício físico. 
Proporcional ao deslumbramento.

O ponto de partida foi o restaurante, ao lado do museu nabateu.


Tivemos de subir mais de 800 degraus. O número varia consoante o utilizador.
 Não eram escadas normais. 
Era um caminho com pedras enormes com degraus profundamente irregulares. Muitos nem eram degraus, apenas pedras soltas. Por vezes escorregava-se.

Em alguns locais o espaço era amplo. Noutras partes tivemos de atravessar encostas muito estreitas.
Fomos em sentido contrário à entrada do Tesouro. Para o outro extremo.

O Mosteiro é o monumento que fica mais afastado da porta principal.

Água e protector solar foi obrigatório. Também tempo. Muito. Para descansar e saborear a paisagem.

Beduínio numa caverna
Beduínio numa caverna

O caminho é pelas encostas da montanha. Só pedra. Raramente encontrámos árvores.
A sombra de uma encosta e a brisa que corria eram os locais preferidos para parar.

Com calma a subida é percurso para uma hora.
 Os beduínos ofereceram transporte com burros. Obrigatório dispensar. Os desgraçados dos animais tinham de fazer um esforço enorme e ainda levavam com o chicote quando as forças escasseavam.


O percurso não era rico em monumentos. Eram muito poucos.

O mais interessante foi o ambiente.
As cores, a textura das pedras, a imaginação do que seria este caminho nos milénios anteriores. O que levaria as pessoas a subir e a descer esta montanha.


Em muitos locais encontramos beduínos.

família de beduínos
família de beduínos

Alguns estavam a vender produtos de joalharia e chá para os turistas. Outros andavam por ali com cabras e burros.  
Por vezes, os animais eram colocados em pequenos espaços, mesmo ao lado de uma ravina. 
A uma metro de uma queda de centenas de metros. 
No vale eram também visíveis as cabras a percorrer as escarpas. Lá no alto da montanha, acima dos templos e das casas esculpidas nas rochas.

Após a subida também se encontraram beduínos nos terrenos mais amplos, com vegetação rasteira. 

Alguns vigiavam animais. Famílias vagueiavam à procura de turistas embora não fossem intrusivos. 

Tudo se fazia com calma.

O mosteiro
O mosteiro

Um dos locais mais procurados era o bar improvisado com bebidas.
Não tinha muita sombra. Uma árvore e uma pequena zona coberta. Com bancos. 

Deu para refrescar e relaxar com vista para o Mosteiro.


É o maior monumento de Petra. 
Tem 50 metros de altura e 45 de largura. 

Parecia ainda maior porque está incrustado numa montanha.
Nada mais em volta. 
Um largo de areia vermelha em frente e depois a fachada parecida com o Tesouro.
Colunas e em em cima a coroa real.
Têm uma história parecida. Nem tesouro nem templo.
templo.

Porta de entrada do Mosteiro
Porta de entrada do Mosteiro

A origem do nome al-Deir (mosteiro) é desconhecida.
Na verdade o edifício terá servido como túmulo de um dos reis nabateus. 

O mosteiro tem uma única entrada. 

Quando o visitei não era permitida aceder ao interior.  
Via-se um salão muito grande, vazio. 
Apenas as múltiplas variações da cor rosa e fortes tons amarelos.

Deu para passear na zona envolvente. 

Um dos melhores planos para fotografar foi de um dos lados com o vale de Petra no horizonte.  


A viagem não terminou aqui. Ainda faltava o miradouro “o fim do mundo”.

Ficava atrás do bar. 

Um pequeno passeio a pé levou-nos para o alto de uma zona montanhosa.

O fim do mundo
O fim do mundo

Era final da tarde. A luz ainda era intensa mas já tinha os tons avermelhados. O reflexo nas montanhas, também elas em tom avermelhado, tornavam a paisagem ainda mais sublime, com uma sucessão de cumes de montanhas.  De braços de rocha que se estendem o mais que podem e que terminam de forma arredondada.

No outro alto, num outro braço da montanha, estava uma cabana. Era o Fim do Mundo, com  duas bandeiras da Jordânia.

A cabana era de um beduíno que vendia artesanato aos turistas. Protegia do vento e servia de ponto de referência para sabermos onde fica o fim do mundo. Se for assim, é espectacular.

Visitei Petra em 2006. Já tinha o estatuto de Património mundial da Unesco.
No ano seguinte, em Lisboa, foi escolhida como uma das sete maravilhas do mundo. 
Teve o meu voto.


Após o destaque neste concurso, aumentou significativamente o número de visitantes.


Quase 200 anos depois de ser dada a conhecer ao ocidente pelo explorador suíço J
Johann Ludwig Burckhardt, Petra ganhou imensa fama. 

Que o proveito seja proporcional porque merece. 


É fascinante.

 

 

Ver fotos da Jordânia