sveti stefan
sveti stefan

Os rublos dão para ir de avião ou compramos um iate?
Montenegro é bonito, tem paisagens e património arquitectónico deslumbrantes - Sveti Stefan é um dos melhores exemplos -  mas o que mais gostei foi da society russa.
O país e em particular as praias do Adriático são muito frequentadas pelos endinheirados da Rússia (entre 2008 e 2013 eram 70% dos turistas que visitavam Montenegro). Budva é a capital do turismo, a Buda Riviera. Nas proximidades é deslumbrante a baía de Kotor.

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Fomos para Montenegro de autocarro, a partir de Dubrovnik.
A localização de Montenegro permite o acesso ao país a partir de várias estradas. Desde a Sérvia, Albânia, Bósnia e Croácia (Debeli brijeg, Kobila)
Foi este o nosso percurso com destino a Budva.
Demorou cerca de cinco horas, quase o dobro do previsto. O motorista teve de abastecer, antes do Kotor havia obras e a paragem mais demorada foi na fronteira. Policias entram e saiem dos autocarros em várias partes do percurso….
Os cidadãos portugueses não precisam de visto.

Nossa Senhora das Rochas.
Nossa Senhora das Rochas.

A viagem é igualmente cansativa como deslumbrante. Por exemplo, na baía de Kotor, as curvas sucedem-se e cada uma projecta nova vista fantástica.
Pessoas a trabalhar em viveiros de peixes, pequenas localidades à beira da água, lá ao fundo montanhas enormes que colam o verde com o azul do céu. No meio da baía algumas embarcações. Umas de recreio, outras de transporte e pesca. Também no meio da baía algumas ilhas, istmos com habitações. Uma dessas ilhas, proximo de Perast, capta de imediato o olhar e é um dos locais mais fascinantes de Montenegro: a Nossa Senhora das Rochas.
A lenda diz que era um local de marinheiros. Depois de terem encontrado uma imagem da Virgem Maria e do Menino, fizeram um juramento e construíram a ilha com rochas onde ergueram uma capela. Ninguém atesta a lenda mas continua a ser um local religioso e ponto de encontro de muitos turistas.
A igreja é o edifico mais destacado e ao lado há um museu.
Ao longo da baía há ainda casas que revelam algum poder de compra. Pequenos aldeamentos turisticos com restaurantes e comércio muito próximo. Também com estradas vizinhas e com muitos carros e autocarros a circular.

Hotel Kangoroo
Hotel Kangoroo
No caminho tivemos uma primeira passagem por Kotor. Breve. O regresso estava agendado.
Em Budva ficámos no hotel Kangoroo. O nome deve-se a uma relação do dono com a Austrália.
O hotel é simples, nada de mais e com boa relação preço/qualidade.
O melhor é o restaurante. Fomos logo experimentar. Os pratos eram de peixe. Nós gostámos e também o gato que ronda pelas mesas e se protege nas zonas verdes do chega para lá dos empregados.
Gostámos tanto que a maior parte das refeições foram no restaurante do hotel. Quase sempre peixe.

O Kangoroo fica numa área urbana, mesmo ao lado do rio e do parque que dá acesso à praia.
O parque tem várias instações culturais, diques e é enorme. A sombra é muito bem vinda nos dias de calor e após longos passeios pela praia.

Neste espaço verde há também um aldeamento turistico muito grande. O espaço é relativamente escuro durante a noite mas pode-se passear com calma. Há muita gente a fazer o mesmo, locais e turistas.

Discoteca
Bar

A passagem para lá do parque, junto à praia, é a entrada num outro universo.

Há vários caminhos, a maior parte deles pedestres. Se a ida é pela via que circunda a zona ribeirinha, encontramos as bermas da estrada preenchida com lojas. De roupa, comida, artesanato, gelados… e durante a noite bares ao ar livre. Não passam despercebidos devido ao volume da música.
Esta rua termina numa zona de restaurantes e hotéis em que se destaca o Astória.


Se o caminho é junto à praia, as montanhas e a vista do Adriático captam a atenção. Como também a praia, de pedras. Granditas. Seguramente pouco confortáveis. À partida não parece muito acolhedor, foi a primeira impressão.

Muita gente a saborear o sol e a água. Outros, preferem sentarem-se no cais de pedra ou em bancos que estão junto ao passeio. A praia é extensa.

Este caminho termina na zona da marina e depois junta-se à zona de restaurantes e hotéis.

Aqui há um largo, separa a marina da zona das muralhas. A cidade antiga,

Stari Grad
Stari Grad

Budva é referenciada como tendo a sua origem no séc. V a.C.
Esta parte é toda murada e é uma pequena península. Apesar da construção ser antiga e num espaço reduzido, as casas têm jardins, há espaços verdes e muitas videiras. Mais uma vez, este é um território de gatos e turistas.

As casas são de pedra, lá no alto está uma igreja ortodoxa e também o museu da cidade.
Dá para circular ao longo da fortaleza e, no lado oposto, há uma vista magnifica de Budva.

Slovenska plaža
Slovenska plaža

Budva é conhecida pelas suas praias. Tem mais de três dezenas e em quase todas o “areal” é  de areão. 

A maior, Slovenska plaža,  está situada ao longo da marina, antes da cidadela. Tem 1.600 metros, pouca areia e é muito concorrida. 

A ondulação é fraquinha, muitas crianças andam a pé na água e à beira-mar há muitas esplanadas e restaurantes.
Mesmo à noite é um dos locais mais frequentados.

No mar dá para praticar desportos náuticos e, um pouco mais distante, é frequente ver praticantes de parapente. 


Ricardova
Ricardova

Depois, há uma outra praia, a Ricardova, mais pequena mas também de areão.
Esta praia é muito frequentada e está localizada em frente a vários hotéis, nomeadamente o Avala que tem um avançado em direcção ao mar, com uma piscina no piso superior.
É também uma zona de passagem. Para quem quer seguir pelas falésias, por um caminho estreito, sinuoso e em alguns espaços com perigo de queda.
É mesmo no fundo de uma ravina enorme, com rochas que revelam uma longa erosão. O piso é escorregadio e em algumas partes dificilmente passam duas pessoas lado a lado.

Bailarina
Bailarina

Quando as vagas do mar são mais fortes, há ainda o risco de um banho prematuro.

Mas vale a pena. Uns metros depois de se iniciar o caminho,  contorna-se uma parte da falésia e damos com uma estátua assente numa rocha no meio do mar. É a bailarina.
Surpreende. É um dos icones da cidade e um dos objectos mais fotografados. Embora, pouco se saiba sobre a sua origem.
Faz-se fila para se conseguir a melhor perspectiva e os salpicos da espuma do mar também não ajudam.
Pouco depois há uma ponte improvisada e segue-se para uma das joias de Budva: a praia Mogren Budva
.

Mogren
Mogren

Na verdade são duas praias, separadas por um tunel nas rochas, com uma extensão de 350 metros. 

É considerada uma das praias mais bonitas de Montenegro. 

O seu nome deve-se a um marinheiro espanhol que ali foi parar depois de um naufrágio e decidiu construir uma capela dedicada a Santo António.

Mas não é pela história que esta praia é muito procurada. É pelo areal e pela beleza natural.

Por 10 euros tivemos direito a duas cadeiras e um chapéu.
Rodeados de turistas russos estivemos quase três horas a ver o ambiente.
Alguns dos veraneantes são loucos. Nem protector nem sombra. Só para esturricar.
Crianças vão até à agua e não ficam longe dos pais porque o areal é pequeno.

acesso à Mogren
acesso à Mogren

O homem que arranja as cadeiras também está sempre atento a quem passa ou precisa de ajuda. Está afónico embora, por vezes, fale com outro homem cuja função é receber e registar o dinheiro do negócio das cadeiras.
O afónico parece ser curtido. Já o tinha visto no dia anterior quando andava a transportar cadeiras da Ricardova para um barco.
Estava muito calor e, de vez em quando, o homem ia à beira mar, pegava na areia molhada e esfregava nas pernas. Depois passava água pela cara e pelos braços. Talvez fosse eficaz para refrescar porque a água era um pouco fria. Não era o gelo do Atlântico mas nada comparável ao caldo do Dubai.

O problema maior era andar no areal. Talvez devido ao tamanho da areia, ficava muito quente e quase que esturricava a palma dos pés. Para evitar a quentura a estratégia era enterrar os pés na areia mas também exigia algum esforço.

turistas
turistas

Quando fomos embora a coisa piorou. O caminho de regresso nas praias foi um autêntico inferno porque era insuportável a dor provocada pelo areão. E na parte inicial do caminho das rochas, onde havia alguma areia, foi mais insuportável. Resultado: mais uma aquisição, uns chinelos de praia.

A passagem pela praia despertou-me a curiosidade pelos turistas que, julgo, eram maioritariamente russos.
Facilmente se dava por eles. Famílias ou pequenos grupos, por vezes só de mulheres.
Uma das características era o prazer da ostentação. Joias, telemóveis com brilhantes… a praia e os locais turisticos eram um centro comercial de gadgets e ourivesaria.

As mulheres tinham muito cuidado com a apresentação. Roupas vistosas, sapatos altos, mala de marca a tiracolo.
Muitas eram bonitas.


Marina de Budva
Marina de Budva

Os mais abastados chegavam de iate.
A marina era um desfile. Pequenas e grandes embarcações. Algumas ficavam apenas um dia.
À noite alguns jantavam nos seus iates. O serviço era prestado pela tripulação, vestidos a rigor.
O efeito cénico era surpreendente porque algumas embarcações tinham luzes em baixo e iluminavam a água da marina que, já por si, é muito translúcida.

A sociedade da abundância e do consumo teve um outro sinal. Um desfile de moda. Durante meia hora estivemos a ver criações de Roberto Cavalli.

Desfile de Roberto Cavalli
Desfile de Roberto Cavalli

produção foi cuidada e até teve nota de reportagem em directo para a televisão local.

Muita gente foi ver o desfile, na praça que antecede as muralhas da cidade antiga. Mesmo em frente ao restaurante Mercure onde jantámos. Não foi muito dificil arranjar lugar para o jantar. Mais dificil foi ver o espectáculo.  
Uma turista, que estava com um grupo de amigas, bem me pode agradecer também ter visto o desfile sem qualquer hematoma. Ela sentou-se na esplanada e colocou a cadeira mesmo à beira do abismo, para uma queda de costas. Numa sortida rápida fui avisá-la. Agarrei a cadeira, mas primeiro que a mulher entendesse, fulminou-me com o olhar durante quase um minuto.

Kotor


Kotor
Kotor

Tivemos muitas dúvidas entre Kotor e Budva. Acho que fizemos bem em optar por Budva.

Na primeira passagem por Kotor fiquei com a impressão de que é um lugar agradável, romântico, com uma arquitectura interessante, com as muralhas a serpentear a montanha mas, visita-se num dia.

Foi o que fizemos. Ida e volta de autocarro a partir de Budva. Não demora muito tempo, cerca de meia hora.
A paragem é em frente a um edificio meio abandonado onde sobrevivem vestigios das letras Riviera. Já podia ter sido demolido porque é alto e fere o olhar para este lado da cidade.
A descida de pouco mais de uma centena de metros leva-nos para a baía e a zona histórica. 


Muralhas
Muralhas

Entrámos pela porta sul, protegida por um pequeno lago.  
A primeira decisão foi recusar subir a muralha com os seus 1 350 degraus.
As muralhas, severamente destruídas por um tremor de terra em 1979, foram entretanto recuperadas e estão em bom estado de conservação. 

A cintura de muralhas serpenteia a montanha que abraça Kotor e no cume ainda se podem ver algumas construções antigas, um castelo e uma igreja a meio caminho.

interior da catedral de S. Tryphon
interior da catedral de S. Tryphon

Após um espresso começou o circuito com uma visita à catedral de S. Tryphon cuja construção foi iniciada no séc. XII e várias vezes reconstruída devido a sismos.
A catedral serve de museu e no piso superior tem várias pinturas e reliquias do tempo em que foi iniciada a sua construção.
É o edificio mais imponente na parte antiga de Kotor.
Visitamos ainda duas igrejas ortodoxas. Parecido com Dubvronik mas em formato mais pequeno.

A arquitectura é fortemente influenciada por Veneza. Kotor foi durante três séculos parte integrante da República de Veneza.

Kotor
Kotor

O espaço urbano não é  muito grande e está bem preservado.
Além destes edificios históricos, há ruas estreitas com pequenas praças com restaurantes e esplanadas.
Toda esta região (a cidade e os fiordes) foi  declarada património natural e cultural pela Unesco tendo em conta a sua relevância histórica como zona comercial e de grande dinamismo cultural. Terra de marinheiros e de cruzamento de civilizações e saberes.
A visita na parte antiga não é muito demorada. Também não havia muito visitantes, nem filas de espera.

Gato caça uma sandes
Gato caça uma sandes

Próximo da porta sul um gato também percebeu que a vida não está fácil e um jovem, com uma sandes na mão procurava qualquer coisa. Estava distraído. O gato não. Aproximou-se lentamente, no corrimão de pedra da escadaria, muito próximo da sandes.
O jovem ficou surpreendido mas gentilmente gratificou a coragem do animal.
Decidimos contornar a cidade através de um caminho numa pequena muralha, próximo da rua principal. Dá para ver o interior das casas, através das janelas.
Regressámos rapidamente à porta sul.

Kotor
Kotor

A cidade está situada num vale, encostada a uma montanha e à baía. É quase um estreito.
Do outro lado e ao fundo montanhas circundam o espaço urbano. Montanhas altas em que por vezes os cumes não são visiveis devido ao nevoeiro.
Em baixo, a baía, com alguns barcos e iates reflecte o verde da montanha e as cores metalizadas das embarcações.

 

Sveti Stefan

Sveti Stefan
Sveti Stefan

É uma pérola. Valiosa, só acessível aos muito ricos, milionários.

Fica a seis km a sul de Budva.
 Há autocarros de 15 em 15 minutos e a viagem é interesante.
Em primeiro lugar porque muitos locais usam este meio de transporte para Sveti Stefan.
Por outro lado, as paisagens do Adriático são bonitas.

O autocarro deixa-nos no alto de uma pequena vila. Daqui já temos Sveti Stefan em linha de vista. Tal como aparece nos cartazes turisticos. 

Uma estrada íngreme leva-nos pelo meio da vila em direcção ao mar.
O casario é o comum em Montenegro, mas com mais habitações para turismo. Lá em baixo, junto ao istmo percebe-se porquê.


Resort de Sveti Stefan
Resort de Sveti Stefan

Sveti Stefan é um resort de luxo, a concessão por 30 anos pertence à cadeia internacional Aman Resorts.
À  entrada do istmo está um segurança e os pelintras, como eu, ficam à porta…
Acessível apenas para Orson Welles, Sophia Loren, Sylvester Stallone, reis e princesas de todo o mundo.
É o alojamento mais caro em Montenegro.

Tem pouco mais de 50 quartos e suites. As habitações estão integradas em casas de pedra, muitas com espaço verde em volta.

Praia privativa
Praia privativa

Mesmo antes da concessão já era um local para gente endinheirada.

Na sua origem era uma ilha piscatória e foi fortificada no séc. XV para protecção das investidas do império otomano.
Com a pressão do turismo e a nacionalização pelo governo da Joguslávia, mudou de finalidade e de frequência (passou para as elites) e acrescentaram um istmo.

O alojamento luxuoso não se confina ao espaço do istmo.

acesso à Villa Miločer
acesso à Villa Miločer

Num dos lados, na sequência da praia privativa do resort (o areal é de cor rosada), há outro alojamento turistico que pertence à mesma cadeia, a Villa Miločer, antigo Hotel Sveti Stefan e, mais antiga ainda, residência de verão da rainha Marija Karadordevic.
Amplos espaços verdes integram edificios com arquitectura clássica.
Jardins, campos de golfe, caminhos pelo parque e, tinha de ser, praias privativas. 
No interior deste amplo espaço verde estavam a construir novas estruturas turisticas.

praia pública
praia pública

O povo pode tirar fotografias, deslumbrar-se com a beleza e aproveitar a praia que fica antes do istmo. Do outro lado é privativa.
Os sem-abrigo-no-Stefan podem ainda tomar café ou almoçar numa cafetaria no inicio do parque, mesmo em frente ao resort. Pode-se ainda passear pelo parque que sobe a montanha em direcção à estrada principal. O caminho é longo.
A sorte é que encontrámos um autocarro que leva os caminhantes até à estrada. Transbordo e regresso a Budva.