Kuala Lumpur
Kuala Lumpur

A Malásia está inserida numa  península marcada por uma grande diversidade cultural.
Kuala Lumpur é um dos exemplos da modernidade, do crescimento económico e de uma metrópole onde convivem muitas comunidades e religiões.
Malaca faz da sua história a atracção para milhares de turistas. Os vestígios dos impérios ocidentais dos portugueses, holandeses e ingleses partilham as marcas da assimilação cultural com os emigrantes chineses.

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Kuala Lumpur
Cheguei ao princípio da tarde a Kuala Lumpur.
O aeroporto fica a cerca de 50 km e fiz a viagem de táxi. Há um comboio rápido que faz a ligação à cidade. Foi o transporte utilizado na partida. A estação é a Sentral.

Hotel Invito
Hotel Invito

Cheguei cansado.  A ligação a partir do Dubai não deu para dormir. Um casal fartou-se de conversar num volume que perturbava a vizinhança.
Ela entrou com um véu e saiu com um colar em ouro. Era muito mais nova do que parecia com o véu. No telemóvel tinha a foto do companheiro que aparentava mais de 30 anos. Ela não devia chegar aos 20 anos.
Fiquei no Invito Hotel Suites, era recente e os taxistas tinham dificuldade em encontrar o caminho, apesar de ficar situado no triângulo dourado, uma das zonas mais comerciais e turísticas da cidade.
O hotel tem boa qualidade, com quartos amplos e uma vista ampla para a cidade. Em particular no 28º andar onde fui tirar fotos à torre de Kuala Lumpur.. Cortesia de um dos empregados porque estes pisos estão reservados para apartamentos.
Em baixo a recepção é enorme e ao lado um bar que embala a noite dos hóspedes com música. Mas não é nada, comparado com as ruas onde há mais agitação nocturna.

Triângulo Dourado
Triângulo Dourado

Muito calor e humidade acentuam o cansaço. Mas, por pouco tempo.
Um passeio ajuda a descontrair e dá para descobrir o ambiente local.
As ruas centrais estão repletas de restaurantes, barraquinhas e casas de massagem.
A noite de Kuala Lumpur é agitada, em particular nesta zona do Triângulo Dourado.
Fica tudo cheio de gente. Às duas da manhã há filas de carros!
Locais e turistas vão para a rua jantar.

rua de restaurantes
rua de restaurantes

Há ruas que são constituídas por restaurantes de um lado e outro.  São iluminadas de forma improvisada, com fios a atravessar as ruas e lâmpadas no meio, com decoração chinesa. Pelo meio passam carros e as pessoas fazem fila.
Há música por todo o lado. Amplificada e, em alguns locais, com músicos a tocar à frente das mesas.
As especialidades gastronómicas estão em fotografias no placard com o nome do restaurante.
A maior parte serve comida asiática.
Apesar da enorme afluência o serviço é rápido.
A primeira experiência gastronómica foi arroz com galinha numa transversal da Changkat Bukit Bintang. Não foi positiva a estreia. A galinha estava mal frita. Fiquei admirado com o preço: 10 rupias, qualquer coisa como dois euros.

venda ambulante de comida
venda ambulante de comida

A abundância e o prazer da noite não é para todos. Ao lado do restaurante está um jovem deficiente (uma perna atrás das costas) e arrasta-se pelo chão ao mesmo tempo que canta e empurra um sistema de amplificação de som. Vai percorrer o alinhamento dos restaurantes, várias dezenas de metros.
Nesta rua também há muitas tendas de fritos, espetadas, mariscos, castanhas confeccionadas com uma planta escura até ficar uma pasta e venda de fruta. Não pude abastecer-me com mangustão porque no hotel não é permitido. Optei por pitaya e jaca.

Kuala Lumpur
Kuala Lumpur

Kuala Lumpur é uma cidade com grande densidade populacional e repleta de arranha céus. Há poucos edifícios antigos. Na verdade, a cidade não é muito antiga. A sua origem remonta a meados do séc. XIX quando da concentração populacional para a extração de estanho. Cerca de meio século depois foi destruída por uma inundação.
A reconstrução, com a administração britânica, evitou casas de madeira e optou-se pela utilização de tijolo e telha, típico do sul da China.
A ampla área urbana é dominada pela junção de dois rios e a tradução à letra de Kuala Lumpur é  "confluência enlameada".

Menara KL Tower
Menara KL Tower

Hoje, em função deste passado, a cidade tem poucos espaços verdes nas zonas comerciais e algumas áreas estão muito poluídas.
Nos suburbios há mais espaços verdes, essencialmente com palmeiras e zonas com muita água. No entanto, há mais casas rasteiras e blocos de andares em prédios velhos de cimento.
Na cidade os destaques no horizonte são torres enormes e linhas de luzes vermelhas e brancas dos carros em fila nos acessos ao centro..
É este o cenário a partir da Torre de Kuala Lumpur, a Menara KL Tower, um dos melhores locais para contemplar a cidade
Fui até ao ponto de observação sem vidro, 276 metros de altura.
Para chegar aqui tive de fazer um longo passeio mas compensou já que fiquei até ao por do sol (o  horário estende-se até às 22h). O acesso é fácil (o que custou mais foi a rampa de acesso ao topo do parque Bukit Nanas que preserva a área verde mais antiga da cidade) porque a torre com os seus 421 metros destaca-se entre os arranha-céus.
A torre foi construída em 1994 e é um dos símbolos do desenvolvimento da Malásia.

Torres Petronas
Torres Petronas

Com o por do sol a cidade maquilha-se com a luz artificial. As torres Petronas são o foco preferido das máquinas fotográficas mas não deixa de ser menos interessante a filigrana das luzes dos prédios e dos carros em fila numa via rápida.

As torres Petronas pertencem à empresa com o mesmo nome, a maior petrolífera da Malásia e uma das maiores da Ásia.

A construção das duas torres foi concluida em 1998 e cada uma tem 88 andares atingindo os 451.9 metros.
Os edificios têm uma estrutura em aço e vedação em vidro o que lhes dá um ar muito moderno e deslumbrante. A arquitectura remete para motivos da arte islâmica. 
São bonitas e a ligação entre as torres gémeas introduz uma impressão de segurança.
Como as torres estão muito próximas da Torre de KL, as duas estruturas parecem fazer concorrência no horizonte. 



recepção na Petronas
recepção na Petronas

O acesso é fácil. Há muitos transportes públicos, a paragem é na KLCC Station e outra possibilidade é através da KL Hop-On Hop-Off, uma empresa de autocarros turísticos. O bilhete para 24h custa 45 rupias e percorre a parte central da cidade. Se for esta opção, tenha em conta o sol e muito trânsito.
Em frente das torres há uma praça muito grande, serve de base para os tripés. Nos dias de hoje é mais para as selfies.

Próximo da entrada a segurança é discreta, os carros têm de circular a uma distância considerável  e há muita gente a passear. Além dos turistas, as torres têm imensos escritórios e os pisos térreos estão ocupados por um centro comercial cosmopolita.

Na entrada do centro comercial estavam em exposição duas réplicas da equipa de fórmula1 da Mercedes, a equipa patrocinada pela Petronas.

Aproveitei para comprar mais jaca no supermercado e fazer uma pausa num café. O empregado perguntou-me a nacionalidade. Foi a segunda vez neste ano que encontrei um ser humano que não conhecia Cristiano Ronaldo (a anterior foi na Bolívia).

Nota relevante: à segunda-feira não há acesso aos pontos de observação.




 edificio do sultão Abdul Samad
edificio do sultão Abdul Samad

Merdeka Square, traduzido à letra quer dizer Praça da Independência (em Jakarta há uma outra com o mesmo nome).
Foi aqui que em 31 de Agosto de 1957 foi hasteada pela primeira vez a bandeira da Malásia.
O que capta mais o olhar é o edificio do sultão Abdul Samad com forte influência árabe. A torre do relógio é um dos objectos mais fotografos em Kuala Lumpur.
O edificio foi inaugurado em 1897, ainda no tempo da administração britânica e serviu de sede ao império. Hoje alberga o Supremo Tribunal.
Praticamente da mesma altura é o Royal Selangor Club, um outro edificio imponente, o local de encontro da sociedade colonial britânica.

Praça Merdeka
Praça Merdeka

A praça é um dos locais mais marcantes do período colonial e o arquitecto do edificio do sultão, Anthony C. Norman, é também o criador de outros prédios que circundam a praça.
Mais discreta é a St. Mary's Anglican Cathedral
 que está localizada na zona norte da praça e facilmente identificada devido a um jardim em frente. A catedral foi edificada em 1894 e ainda hoje é lugar de culto da comunidade anglicana.
Um outro edificio religioso, não muito é a mesquita Masjid Jamek.

mulheres com véu
mulheres com véu

A comunidade islâmica é maioritária. De inicio, o que me causou maior espanto foi ver muitas mulheres com véu e burka, em particular jovens. Não é habitual ver tantas mulheres assim vestidas no sudoeste asiático.
Kuala Lumpur é uma cidade multicultural. Com cruzamento de etnias e religiões. A etnia dominante é a malaia e há uma forte influência chinesa devido à emigração de chineses que no séc.XIX foram trabalhar para as minas.

Barbeiro no Triangulo Dourado
Barbeiro no Triangulo Dourado

As pessoas são muito simpáticas e prestáveis a qualquer pedido de informação. Só tive uma excepção, quando fotografei uma mulher `numa casa de massagens. Fez um gesto, parecia hostil...
A comunidade chinesa tem uma forte influência na arquitectura, artes e comércio.

Tal como em muitas outras cidades asiáticas, também Kuala Lumpur tem uma chinatown.

Fica numa zona antiga.

Chinatown
Chinatown

Prédios coloridos desfilam nas ruas, a maior parte de dois pisos. O rés do chão é dedicado ao comércio. Lojas de calçado, roupa, relógios, ouriversaria, chapéus, comida…Muita contrfacção. 
O piso superior destina-se a alojamento ou armazém.

Em alguns destes prédios encontramos tabuletas a indicar que são hotéis ou hostels.
 As ruas têm muito trânsito e uma grande afluência de pessoas. As vias são largas mas devido à confluência de carros e pessoas, parecem mais estreitas.

Petaling Street
Petaling Street

A zona mais conhecida é a Petaling street uma rua pedestre e mais vibrante à noite.
A decoração é tipicamente chinesa. Candeeiros de papel sobrevoam as tendinhas e, parte da via, tem uma cobertura metálica para proteger do sol e da chuva. Os candeeiros e muita da decoração torna o vermelho a cor predominante.

Mais dificil é catalogar os aromas. A grande variedade e quantidade de vendedores ambulantes de comida, as lojas de alimentos e especiairias, os cafés e restaurantes ao ar livre, tudo isto provoca uma imensa variedade de cheiros e memórias.
Considerada uma zona comercial por excelência a procura deve-se no entanto à fama de que encontramos aqui pechinchas. Talvez. Os guias dizem que, habitualmente, os preços estão inflacionados 15 a 30% e é preciso regatear.

Chinatown
Chinatown

As ruas estão cheias de locais, chineses e também há muitos turistas. Alguns vão às compras mas a maioria é para visitar.
Os locais não se incomodam com as fotografias, desde que haja negócio…

A chinatown está mais embelezada na  Petaling street, embora as outras ruas não sejam desagradáveis. Talvez sejam até mais pitorescas.
Convém andar, descobrir, sem medo porque não há sinais para alarme. A segurança é igual a qualquer outro ponto da cidade.

Dá para descobrir e entrar em templos budistas. Sentir o cheiro do incenso e contemplar as oferendas aos falecidos, os rituais sem grandes cerimónias.


Mercado Central
Mercado Central

Dá também para descobrir um mercado, numa rua lateral. Vende-se carne, frango, frutas, verduras e peixe. Curiosamente, o peixe não é vendido como no sul da China, meio vivo e dentro de um tabuleiro com água.
 O ambiente era soturno, pouca luz, abafado. Não admira só haver locais e nem um turista.

Ao lado está o Mercado Central. É um edificio antigo e o azul dá-lhe um ar distintivo. No entanto, é mais um centro comercial com algumas galerias de arte.

Circula-se bem e na parte traseira encontramos artesãoes e uma ala é dedicada a retratistas. Há mais lojas de pintura. Uma delas despertou-me a curisodade porque não há traço de pincel. É acrílico em bruto com a forma como sai do tubo.

Uma parte significativa das lojas é dedicada à venda de peças de vesturário, esencialmente para mulher.


Kasturi Walk
Kasturi Walk

A ala latera, a Kasturi Walk, é mais recente (2011) e tem as lojas habituais do comércio de rua. Há muitos restaurantes.
A rua é comprida (menor do que a Petaling street) e à entrada tem uma estrutura metálica, tipo borboleta.
Gostei mais da chinatown.  

No final do quarteirão da chinatown e do mercado central há uma praça grande onde se destaca o hotel Geo, um edificio antigo, alto e com uma arquitectura que se demarca claramente nesta zona.

Do outro lado da rua deve estar um dos empresários mais azarados de Kuala Lumpur.
 É um café que, mesmo à frente, tem uma paragem do city tour.

Os turistas vão ali matar a sede mas, entretanto, chega um autocarro e partem todos em debandada. Alguns deixam a encomenda a meio porque é proibido entrar no autocarro com bebidas. Alguns clientes também sofrem do mesmo azar. Mal bebem um golo do freeze têm de deitar fora o resto se querem fazer a viagem. É frustrante ser turista...


Malaca - Melaka

A partida para Malaca foi no Terminal Bersepadu Selatan (TBS) a 10 km da cidade.

Estação rodoviária em Malaca
Estação rodoviária em Malaca

O transporte de taxi não é caro. O empregado do hotel falou em 50 rupias mas o condutor levou 20 sem taximetro. Foi simpático, fez recomendações e a principal foi para não me esquecer de comprar o bilhete de volta. Tinha razão há muita gente a viajar de autocarro e quase todas as pessoas deixam o regresso para o final do dia.

Meia hora depois de comprar os bilhetes estava a seguir viagem na Delina.
A viagem são duas horas e muito do tempo é dispendido na entrada de Malaca  que tem um trânsito insuportável.

Por outro lado, a estação rodoviária fica ainda distante do centro histórico.
Há uma companhia de transportes urbana, a Panorama, mas não se percebe nada do circuito.


Gereja Christ
Gereja Christ

Optei pelo táxi. 20 rupias e estava em frente da igreja, a Gereja Christ e do Stadthuys.

A praça mais concorrida de Malaca e com um forte tom de tijolo vermelho.
 É o ex-libris da cidade e com a marca da colonização holandesa.
A igreja, com a cruz branca e a torre do sino é um dos edificios mais bonitos de Malaca. Foi construída em 1753 para celebrar o centenário da ocupação holandesa.

No interior, a igreja não é muito grande, ainda se encontram muitos materiais originais, alusivos ao cristianismo e placas evocativas de figuras relevantes da sociedade de Malaca.
Ao lado da igreja há uma rua comercial. Com muitas tendas que vendem comida e roupa.

Stadthuys
Stadthuys

Do outro lado da rua fica o Stadthuys que também tem a cor de tijolo-vermelho. 
Foi construido antes da igreja, em 1660, a partir das ruinas de um forte português quando estiveram aqui entre 1511 e 1641.

É um dos edificios mais antigos do império holandês na Ásia, foi o principal centro administrativo e a partir de 1982 passou a museu.
Evoca os principais periodos da história recente, desde o sultanato malaio à colonização portuguesa, holandesa, britânica e até aos tempos de hoje.


A arquitectura é tipicamente colonial com janelas amplas e portados grandes de madeira.
Tem uma escadaria que nos leva para um jardim onde há um miradouro e vários objectos antigos, designadamente um carro de bombeiros.

A escadaria costuma ser um ponto de encontro e de descanso, com muita gente a aproveitar a sombra.





Jonker Street
Jonker Street

Do lado contrário da praça há um centro de informações turistico (temos de descalçar para entrar) e, passando a ponte, entramos na Jonker Street.
É uma das ruas mais conhecidas e também mais frequentadas.

Os guias turisticos dizem que é um local de antiquarios e pechinchas. 
Na verdade, é mais marketing.
A rua está repleta de (carros e motas a circular) restaurantes, lojas de souvenirs, vendedores ambulantes, lojas de artesanato e, sim, também há antiquários.

Hulu
Hulu

Por outro lado, à semelhança da história de Malaca, é também um ponto de confluência de culturas.
Esta zona fazia parte de uma chinatown e os prédios e o templo  budista atestam essa presença, numa rua paralela vulgarmente designada com a Rua da Harmonia, onde está ainda uma mesquita. 
A Hulu  é a mais antiga em Malaca, foi construida em 1720 e é muito bonita com traços que misturam a arquitectura árabe, chinesa  e malaia e o minarete é em formato de pagode, uma torre com múltiplas beiradas. A mesquita mantém muitos dos traços originais.
O interior tem um imenso tapete azul, o teto é de madeira com imensas ventoinhas e vários candeeiros.


Sri Payyatha Viyanagar Moorthi
Sri Payyatha Viyanagar Moorthi

Nesta rua encontram-se ainda mais dois templos: Sri Payyatha Viyanagar Moorthi (é muito bonito mas estava fechado)  e Cheng Hoon.


Ao contrário dos portugueses, que tentaram eliminar lugares de culto não cristãos, os holandeses foram tolerantes e permitiram a construção de templos e o culto de várias religiões.

Noutra rua encontramos o museu e algumas habitações que replicam as delicadas e requintadas casas dos Baba-Nyonya, os descendentes dos emigrantes chineses que há vários séculos vieram para a Malásia e que criaram uma cultura muito própria: comida, roupa, habitação, lingua creoula..

Cheng Ho Tea House
Cheng Ho Tea House

Um dos locais da cultura Baba-Nyonya cuja visita é obrigatória é a Cheng Ho Tea House.
Um salão tipicamente chinês, com um jardim interior. Sublime, calmo e muito bem decorado onde se pode saborear um chá e/ou aprender um pouco mais da cultura do chá e da forma como é apreciada pelos chineses. Fica na Jalan Tulang Besi.


Nesta zona, do outro lado do rio, o que me pareceu mais interessante foi a arquitectura.

Geographer café
Geographer café

Uma aguarela chinesa com pormenores coloniais holandeses. Casas de dois pisos, muito coloridas, o piso térreo dedicado ao comércio e poucas dedicadas a habitação. Algumas têm perquenas arcadas que servem para venda ou arrumação de motas e bicicletas. Fios e anuncios por todo o lado e algumas paredes decoradas com motivos chineses.
Alguns destes edificios foram recuperados. É o caso do Geographer café fica numa esquina e pretenderam manter a traça original, tipicamente colonial.
Os passeios no meio do casario reforçam a fusão de culturas, com a frequência de locais e turistas asiáticos e ocidentais.

rickshaw
rickshaw

Esta mistura é também ambulante e os rickshaws são os instrumentos dessa fusão.
São invulgares e muito procurados por turistas das mais variadas proveniências e em especial dos asiáticos.
Além da variedade dos utilizadores a fusão regista-se igualmente nos motivos decorativos e na música.

Têm um chapéu para protecção do sol e estão todos decorados. Com cores garridas, muitas flores e desenhos. Outra particularidade: alguns têm sistemas de amplificação de som que costumam ecoar no volume máximo. Despercebidos não passam.
O local onde se encontram em maior número é na praça onde está a igreja e o Stadthuys.

Porta de Santiago
Porta de Santiago

O percurso que fazem com maior frequência é por uma via muito larga, empedrada e onde está o museu de Malaca e, mais à frente, o largo da Porta de Santiago, a entrada para a fortaleza a Famosa. Uma das mais antigas estruturas defensivas europeias na Ásia.
Obra de portugueses (e mais 1500 escravos) após a conquista desta posição por Afonso de Albuquerque ao sultão malaio. O objectivo foi edificar uma fortaleza, na colina próxima do rio e com capacidade para retaliar qualquer ofensiva.
A estrutura teve vários pontos de observação, quatro torres, peças de fogo, habitações para militares, um hospital, várias igrejas entre as quais, lá no alto a de S. Paulo.

Esta posição foi conquistada pelos holandeses em 1641 e a entrada, a Porta de Santiago, foi renovada em 1670, a data que se encontra inscrita, bem como o icone da companhia holandesa das índias.

No séc. XIX a fortaleza mudou de mãos, passou provisoriamente para os britânicos (para evitar o avanço de forças napoleónicas) mas quando chegou a vez de devolverem o território aos holandeses, tentaram destruir a fortaleza e desalojar muitos dos locais desta zona. Só parte foi conseguido. 

Na verdade, hoje, pouco mais há do que ruinas. 


Igreja de S, Paulo
Igreja de S. Paulo

A começar pela porta de Santiago em que o ar de alguma modernidade é dado apenas por dois músicos a tocar viola e uns canhões ao lado da entrada, virados para o rio e que foram entretanto restaurados. 

A entrada encontra-se muito degrada, com paredes cheias de humidade.
De seguida é uma escadaria em direcção à igreja de S. Paulo. Parece curta e rápida. Puro engano. A rampa é longa e íngreme. Como é habitual faz calor e está muito húmido o que dificulta a caminhada.

A igreja foi construida em 1521 e também está em ruínas.

Igreja de S, Paulo
Igreja de S. Paulo

Tem várias portas que servem de moldura para fotos em direcção à cidade. No interior são visiveis algumas inscrições e peças de pedra, tumbas, onde são feitas evocações aos descobridores e ocupantes portugueses.
Num dos extremos está uma zona tapada que serve de cama a um gato que dorme sobre a história.
A igreja inicialmente dedicada a N. S. da Anunciada foi mandada construir pelo nobre Duarte Coelho como gratidão por se ter salvo de uma tempestade no mar do sul da China.
Depois mudaram o nome e passou a ser um dos símbolos dos jesuítas ao construirem em volta do recinto a primeira escola na Malásia.
S. Francisco Xavier chegou a Malaca em 1545 e utilizou por cinco vezes a cidade como base para as suas incursões missionárias na China e no Japão e os seus restos mortais estiveram aqui temporariamente - entre Março e Dezembro de 1553.

Com a administração holandesa a igreja passou a ser um templo protestante e designaram-na Igreja de S. Paulo, como também a colina.
Após a construção da Gereja Christ a igreja de S. Paulo passou a ter menos relevância.

estátua S. Francisco Xavier
estátua S. Francisco Xavier

Com a saída dos holandeses os jesuitas tiveram de deixar a cidade e a igreja entrou num processo acelerado de degradação, como quase toda esta zona fortificada tendo sido, inclusive, deitada abaixo a torre.
 Ficou praticamente abandonada e só no inicio do séc. XX começaram trabalhos arqueológicos, onde se descobriram as tumbas, e obras de restauro das paredes da igreja.

Em 1952 foi colocada uma estátua de mármore de S. Francisco Xavier ao lado da igreja mas no dia seguinte caiu uma árvore e partiu parte do braço. Ainda hoje está assim.

Vista de Malaca da colina S, Paulo
A cidade vista da colina de S. Paulo

A estátua está situada numa das zonas com melhor vista da cidade e do porto, que fica a cerca de 1 km. 

É um dos locais preferidos para as fotografias e o santo serve de companheiro.

Daqui temos uma melhor percepção da amplitude da cidade. Da extensão do rio que faz a ligação da parte nova à parte antiga e classificada como património mundial pela Unesco.
 Um olhar sobre o porto que nunca teve grande desenvolvimento apesar da pretensão de entreposto comercial. Os portugueses e os holandeses quiseram ter o monopólio e não permitiam o livre comércio. Por sua vez, os ingleses deram preferência a Singapura.

 igreja de S. Francisco Xavier
igreja de S. Francisco Xavier

Os jesuítas e S. Francisco Xavier são uma referência histórica e religiosa na cidade e a comunidade jesuíta regressou em meados do séc. XX, expulsos da China, e constituem uma forte comunidade católica em Malaca.
Um dos sinais dessa vitalidade foi a construção da igreja de S. Francisco Xavier em 1961.
É um edifício neo-gótico, muito bonito, de core leves, com duas enormes torres e a rosa dos ventos no meio.
A igreja está numa rua discreta, um pouco depois da Gereja Christ e não é muito frequentada por turistas.

cais dos cruzeiros
cais dos cruzeiros

Da igreja de S. Francisco Xavier temos uma vista fantástica para o rio e uma fila de casas muito coloridas quase coladas à água.

A melhor forma de descobrir esta zona é num cruzeiro.
O inicio é num cais a que se acede através de uma rua pedestre.

O cruzeiro custa 15 rupias, demora cerca de meia hora e é interessante.

Permite uma visão diferente de vários pontos da cidade. 
Arquitectura antiga convive com torres modernas. Uma longa via pedestre ao longo do rio, engalanada com flores. 


vista do rio
vista do rio

Em alguns locais as paredes das casas estão pintadas com motivos diversos mas sempre em tons fortes. 

Muitas casas de madeira, algumas delas com uma pequena escadaria em frente, decorada.

Mais para o fim surge uma urbanização mais moderna, com edificios de escritórios.
 Aqui muda-se um pouco o ambiente, com materiais de construção mais modernos mas continua um espirito harmonioso.

vista do rio
vista do rio

Pelo meio há pontes pedrestres e muita gente a passear. Parece haver a intenção de toda esta zona estar engalanada, limpa (o rio tem cor acastanhada mas não está sujo) e disponível para postal ilustrado.
Uma outra forma de descobrir o rio é através de um passeio a pé.
Percebemos melhor a interacção dos locais com o rio e, em particular na zona de maior pressão turistica, este espaço está mais dirigido para a restauração. 
Foi também essa a minha opção, num café/restaurante com uma esplanada à beira rio.
A cozinha era escura e uma mulher confeccionava a comida com artefactos locais e rudimentares. O homem estava sentado numa mesa com mais três comparsas.

Escolhi um sumo de lima mas depois do que vi na cozinha estive cinco minutos a olhar para o copo e a reflectir… Numa mesa ao lado duas alemãs bebiam coca-cola com gelo. A haver azar seria colectivo.

Na zona histórica de Malaca é proibido fumar. Há apenas um pequeno espaço junto à praça principal e a um moinho de água onde se pode fumar. No resto é proibido e acatado. No entanto, na esplanada, havia cinzeiros e vestígios de cigarros.
Pedi permissão ao dono do café, ele fez sinal de concordância e depois comentaram o meu cigarro ou qualquer outra coisa.
Perguntei a um dos homens se lhes podia tirar uma foto. Ele reagiu com desprezo mas levou à mesma com o disparo da objectiva.

casal de turistas regressa a Kuala Lumpur
casal de turistas regressa a Kuala Lumpur

A cidade está repleta de turistas.
Malaca é um dos principais destinos de turismo desta região. Há muitos cartazes na Malásia a publicitar a cidade, brochuras de companhias aéreas, panfletos de empresas rodoviárias, e agências de turismo em outros países asiáticos colocam Malaca como um destino de referência.

Os principais pontos de interesse estão cheios de gente e muitos vão por transporte rodoviário.
Segui o conselho do taxista de Kuala Lumpur e consegui regressar às 18.30h. Consegui, porque outros turistas não sei como o conseguiram. Por volta das 17.30h já estava tudo esgotado.

A viagem de regresso foi num expresso, custou mais três rupias mas de nada valeu. O trânsito era imenso e só cheguei a Kuala Lumpur às 21h. 

Em Selatan fui a pé até ao terminal ferroviário, apanhei o comboio proveniente do aeroporto até à estação Sentral e de seguida o táxi.

Antes da saída da estação tem de se pagar o táxi. O preço varia consoante a área de destino. Para o Invito a tarifa é de 13 rupias.

Fácil e eficaz.
O problema é que o taxista desconhecia onde ficava o hotel. Começou a guiar, voltava a perguntar o nome do hotel mas… nada. Tirei o cartão do Invito e passei-lho. Pediu-me para eu ligar. Respondi que não tinha telefone. De seguida, ele pegou no telemóvel e pediu-me para eu ler o numero do telefone do hotel. Agora, a dificuldade era minha, mesmo com os óculos não conseguia ler bem os números. Ou era ele que errava ao digitalizar no telemóvel. A verdade é que não acertava, a chamada ia sempre parar a outro lado.
Pouco depois ele encostou o carro. Nem sei bem aonde. Só percebi que era um local escuro ao lado de uma via rápida.
Tínhamos o mesmo problema, não conseguimos ler os números. Eu tentei dar-lhe o cartão mas ele recusava. Provavelmente não devia saber ler. Ele falava, falava. Eu não percebia nada do que ele dizia, só entendia que devia estar a desabafar da má sorte.
Por fim, respirou fundo e perguntou se eu sabia o nome da rua. “Ceylon”. “Ah”, comentou ele com imensa alegria, “Ceylon, um pouco antes da torre!”. Depois acalmou e adiantou que conhecia rua, o hotel não porque devia ser novo. 

Quando chegámos ele descobriu direito o caminho para a entrada do hotel. Pediu imensas desculpas. ”Sem importância, fiquei a saber que é obrigatória uma visita ao oftalmologista!”