Inesquecível.
A memória visual tem de selecionar milhões de imagens e a de Torres del Paine é uma das preferidas.
Porque é singular, bela e geradora de um profundo bem estar interior.

Percebe-se que se vive um momento irrepetível. A luz, as cores, os sentimentos combinam num olhar contemplativo.
A Pinguinera provoca também uma sensação particular e, no caso dos pinguins leão, uma alegre melodia após a travessia do estreito de Magalhães.
Uma viagem por um teritório que, por enquanto tem lugares genuínos mas, talvez, dentro de alguns anos estará inundado de turistas.

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O caminho para a patagónia chilena fez-se a partir de Calafate.
A viagem de autocarro da Bus-Sur até Puerto Natales teve uma paragem em Esperanza e depois na fronteira. Do lado chileno da aduana a espera foi maior porque revistaram todas as malas. Casas Viejas ainda era uma fronteira à moda antiga.

Puerto Natales
Puerto Natales

Chegámos de noite a Puerto Natales e foi deitar e dormir no Hotel Lago Sarmiento.  O hotel é simpático, está bem localizado muito próximo do porto e é fotogénico mas tem um problema: ouvem-se os passos dos habitantes do quarto superior.
Caminhada bem cedo até ao centro da cidade. É bonita, casas coloridas de um único piso, algumas com arquitectura europeia, em particular na praça principal, outras com um rendilhado no topo. Faz lembrar algumas localidades costeiras na Namíbia. Ruas limpas, muita gente na rua, pequeno comércio e muitos serviços para turista. Tal como na Argentina, não é rápido levantar dinheiro nas máquinas automáticas, Há filas grandes.

Puerto Natales
Puerto natales

Também não foi fácil alugar carro. As empresas nacionais e internacionais não tinham nada. Só num agente local consegui um Nissan e tive de pagar 50 mil pesos dia. O carro tinha pouca aderência na gravilha, mesmo a velocidade reduzida o carro é pouco estável e uma vez tive mesmo de parar encostado à berma.
Como tudo esgota tivemos de nos prevenir para viagem até Punta Arenas, com a compra antecipada dos bilhetes na Buses Fernandez.
A saída de Puerto Natales para Torres del Paine podia estar melhor sinalizada. Tivemos de retroceder e irritámos um camionista devido à nossa marcha lenta de adaptação a um carro com caixa de velocidades automática.
Fomos para Torres del Paine pelo caminho novo com a maior parte do percurso asfaltado. Saída para Cueva del Milodon (onde existe um parque com uma gruta) e seguir em frente.

Torres del Paine
Torres del Paine

Muitos carros circulam nos dois sentidos e quando nos aproximamos do Parque Torres del Paine o sinal é dado pelo verde esmeralda (Paine significava azul na linguagem de um povo local) da corrente de água do lago Toro e pela sinalética a orientar o caminho para o Parque e para Rio Serrano (que dá o nome à entrada sul).
Depois dos “3 passos” para se pagar (18 mil pesos chilenos) o ingresso no parque, mais estrada de gravilha e muitos buracos. A velocidade máxima é de 60 km/h mas muitos ultrapassam o limite. O maior problema no caso de acidente é a demora da assistência médica.
No parque só há alojamento em camping e hotéis, cafetarias, loja de conveniência e restaurantes. Tudo isolado, nem animais de estimação podem entrar.

Torres del Paine
Torres del Paine

Ficámos no Hotel Pehoé situado numa ilha e com uma excelente vista das torres, em particular los cuernos. Alguns quartos têm janela com vista para o lago e as torres. O acesso ao hotel é pedonal, através de uma ponte de cerca de 200 metros. 

Havia espaço para estacionamento e também paravam nas imediações autocarros carregados de turistas, em particular mochileiros.
Onde havia mais turistas era no parque em frente à cafetaria Pudeto e que permite também o acesso à embarcação que faz um cruzeiro no lago Pehoé. 
Tínhamos acabado de ver a cascata Salto Grande e o regresso coincidiu com a chegada de vários autocarros.  Encheram rapidamente a cafetaria e até a passagem da entrada. O problema é que ocupam as mesas com um café, um sumo… e ficam por ali horas à espera da chegada da ligação com outro autocarro.

Caminhar ao longo do Salto Grande
Caminhar ao longo do Salto Grande

A cascata do Salto Grande é interessante, causa algum calafrio a força da água (dá para ver a partir da estrada principal a espuma branca devido ao despenhamento da água no lago) e foi igualmente interessante uma caminhada para além do miradouro da cascata. Arvores que parecem ressequidas, baixas e tons amarelados percorrem a base das elevações. Porque estão muito concentradas sugerem um labirinto. A vista que dominava continuavam a ser as torres. São omnipresentes e percebe-se o motivo de adoração dos povos ancestrais.
Antes de Salto Grande estivemos na Salto Chico. Fica próximo do hotel Explora e o acesso foi por uma passadeira de madeira. O caminho levou-nos à beira do lago Argentino. Entre árvores e pedras e o fundo era a água esmeralda. Ouviam-se alguns passos e só minutos depois encontrámos um casal de turistas.
O barulho da queda de água dava uma ideia errada da distância. Parecia próximo mas não era assim, tivemos de subir uma escadaria de madeira que fica quase paralela à cascata.
Deve ser fascinante ser cozinheiro no hotel Explora. É que, contornando a passadeira, damos de frente com a cozinha do hotel que devia ter uma das mais fabulosas vistas do parque. De um lado, a cascata, em frente um lago esmeralda e ao fundo as Torres del Paine com os seus quase 3 mil metros de altura. Deslumbrante!

Guanacos
Guanacos

Alguns guanacos passeiam por aqui e são o foco das máquinas fotográficas dos alojados no hotel. O mesmo sucede no hotel Pehoé, mas em vez de guanacos são patos que passeiam pela ilha e no exterior.
Ao longo do parque é frequente encontrar guanacos nas encostas e até no meio das estradas. Foi o que nos sucedeu numa descida próximo do lago Nordenskjold. Uma família de guanacos andava a pastar na encosta e decidiram atravessar a estrada de gravilha e passarem para o outro lado. Com toda a calma. O movimento não era muito e que esperem!.
Andávamos a percorrer algumas partes do Parque e estávamos de regresso à zona central depois de verificarmos que a saída pelo lago Sarmiento estava encerrada e de termos tentado a outra, a Laguna Amarga.
Esta zona é diferente da entrada pelo Rio Serrano e a paisagem muda subitamente. A vegetação, os guanacos, subidas e descidas enormes, o maciço central com uma nova perspectiva…

Almirante Neto
Almirante Neto

O monte Almirante Nieto (2.670 metros de altura) parecia que tinha um lençol de gelo azul e branco a escorrer pela montanha e deu ainda para ver uma série de “agulhas” escondidas nas traseiras dos cuernos del paine. Como as condições atmosféricas mudam com imensa rapidez, por vezes temos uma perspectiva única das Torres. A luz, a cor, o brilho do gelo, a tonalidade da água e o contraste com o granito fazem combinações que são apenas um instante.
Um outro lugar deslumbrante é o lago Grey, em frente a um dos maiores glaciares desta parte da Patagónia.
O aceso foi rápido: a caminho do hotel Grey e depois seguir em frente até uma casa de vigia.

Ponte para o lago Grey
Ponte para o lago Grey

A caminhada começou com a travessia de uma ponte de cordas, talvez com 20 metros de cumprimento, 1.5 m de largura e passa por cima do rio Pingo que aqui é azul. Não era muito alta. Ninguém fez a travessia sem uma sessão de fotografias.
Segue-se uma caminhada de algumas dezenas de metros, por meio de uma vegetação mais intensa e, depois, aparece aos nossos olhos um extenso areal, cinzento e com um lago.

Lago Grey
Lago Grey

No meio do lago havia uma língua de terra que fazia a passagem para o outro lado, talvez com uma extensão de 1.5 km. Para além da língua de terra, uma nova área de água com alguns icebergues e ao fundo o glaciar Grey. O glaciar só era bem visível a meio da caminhada pela língua de terra. Este istmo é constituído por areia e pedras de basalto. Termina junto a uma elevação onde está o miradouro do glaciar.
Este percurso teve muitos aficionados. Dezenas fizeram-no na nossa companhia, nos dois sentidos. O problema é que estava (para não variar) um dia muito chuva e vento forte. Quando estávamos no meio do istmo as condições atmosféricas pioraram significativamente e foi uma molha descomunal.  Mais juízo teve o segurança do barco que faz o cruzeiro no lago Grey que se refugiou numa encosta, debaixo das árvores.

Torres del Paine
Torres del Paine

O Parque não tem uma oferta muito diversificada de serviços.
Além das cafetarias onde é possível comprar alguns snacks e bebidas, pouco mais há. Restaurantes nos hotéis e um outro junto ao acampamento de Pehoé. Neste, no Parrilla Pehoé,  almoçámos uma dose enorme de frango e salmão tendo como vizinhos nas outras meses, metade das Nações Unidas. A sala tem enormes paredes de vidro e o melhor complemento da refeição foi a vista para o lago Pehoé e, claro, as Torres.

hotel Pehoé
hotel Pehoé

O restaurante do hotel Pehoé é igualmente interessante, com uma óptima relação preço/qualidade. As mesas junto aos vidros na parede suspensa sobre o lago são as mais procuradas. Por vezes está cheio mas nós conseguimos a alternativa do piso superior. É soberbo tomar uma refeição, manhã cedo ou ao final do dia, ao nível do lago e com as inesquecíveis Torres a servirem de nossa vigia. Uma manhã chuvosa, sem sol e com muito vento aliciou-nos à preguiça e a um pequeno almoço distendido. Lindo. As linhas das torres estavam indefinidas, muitas ocultas pelo nevoeiro, as nuvens baixas esbatiam o tom esmeralda da água, a água escorria pelo vidro da janela. O interior quase em silêncio, confortável, com várias pessoas a saborear a vista, a comida e a ver conteúdos na internet. Há wifi mas não há linha telefónica. O que significa que não há o ruído dos telemóveis nem as conversas em alta voz.

Torres del Paine
Torres del Paine

A deslocação no interior do Parque não é fácil para quem não tem viatura própria.
Muitos visitantes chegam por transfer desde o aeroporto de Punta Arenas (fica a 400 km)  e outros através de autocarros. O problema é que não têm grandes alternativas no interior do parque.
As distâncias são grandes, o terreno é inóspito e as caminhadas demoram horas, embora seja a melhor forma de descobrir os lugares mais interessantes. Para quem vem nestas circunstâncias são precisos vários dias para visitar o parque. Por outro lado, tem de se ter em conta os horários de abertura e fecho do parque e dos autocarros. Num dos dias em que fomos à cafetaria Pudeto, no meio da imensa confusão do espaço atafulhado de turistas, sobressaiu a voz de uma brasileira (não jovem).  Falava para outra brasileira que estava no extremo oposto da sala e queixava-se que estava perdida. Não chegou a tempo da ligação rodoviária para Calafate e procurava uma alternativa. Ainda perguntou a todos os presentes se alguém seguia viagem para a portaria Laguna Amarga mas não teve sucesso. A primeira interlocutora propôs-lhe que a acompanhasse até Puerto Natales e no dia seguinte partiriam para Calafate. Foi uma sorte…. este diálogo teve lugar depois de um outro, no balcão da cafetaria entre uma jovem e a empregada. Algo se passou porque a jovem estava a utilizar uma ligação rádio e discutia com a empregada. Esta não estava para a aturar e mandou-a falar “slow”. A jovem queixava-se de uma situação “horrível” que não era digna de um país. Foi aqui que a empregada se passou e lhe disse que ela fosse então para o seu país,  porque se tinha um problema foi ela que o criou e agora não culpasse o país dos outros. Ela assim fez, saiu porta fora.

Torres del Paine
Torres del Paine

Os dias passados no parque de Torres del Paine tiveram uma coincidência terrível: quase sempre mau tempo. Chuva, vento, frio e o céu nublado. Péssimo para fotografia, um dos meus grandes objectivos da viagem.

A previsão para os dias seguintes era igual ou pior.
nada a fazer, decidimos rumar a sul, até Punta Arenas.
Regresso a Puerto Natales com uma recepção magnifica na cidade liderada por um enorme arco íris.

A chegada foi manhã bem cedo e deu para um passeio e uma sessão fotográfica às casas coloridas. O interior das habitações é de madeira prensada e o exterior é de chapa. As mais recentes, com mais pisos, são de tijolo e cimento.


Punta Arenas
Punta Arenas

A viagem para Punta Arenas foi na buses Fernandez mas, meia hora depois da partida, uma paragem forçada devido a avaria fez-nos perder algum tempo. O local da paragem era de estepe amazónica, com muitas árvores secas, mortas.
A “ruta al fin del mundo” tem retas enormes, com muito trânsito e a paisagem é dominada or espaços abertos, ovelhas, carneiros, vacas... No meio do nada, perdido no horizonte uma ou duas casas, habitualmente com um caminho que vai desembocar na estrada.
Quando nos aproximamos de Punta Arenas  são visíveis instalações industriais, empresas químicas e muitas casas velhas.
Três horas depois da saída de Puerto Natales estávamos em Punta Arenas junto ao estreito Magalhães e o principal centro urbano do Chile no sul da Patagónia. Também uma das cidades com mais vento em todo o mundo.
Tal como em outros lugares desta região, a arquitectura da cidade é em quadricula. Algumas das ruas têm árvores, algumas delas. Com muitos ramos e cortados formam, uma estrutura densa que fica redonda.

Punta Arenas
Punta Arenas

O Hotel Plaza fica na praça principal e não tem elevador. No nosso caso, tivemos de subir mais um piso, com as duas malas grandes. E depois descer um outro piso porque o quarto cheirava mal e fomos para outro com a ajuda do recepcionista. O halterofilismo foi compensado com um quarto com excelente vista para a praça principal.
Escolhemos entrar na Terra do Fogo pelo lado chileno porque é o menos explorado pelo turismo, está num estádio mais natural. Pois bem, mas também não esperava que fosse tão pouco o esforço para captar turistas. A principal atracão de Punta Arenas é a travessia do estreito de Magalhães. Mas à segunda-feira não há navegação! Tem de se esperar mais um dia. Alternativas são muito poucas, ir ver pinguins a Seno Otway ou visitar Fuerte Bulnes.
A paragem forçada em Punta Arenas levou-nos a descobrir a cidade. O porto com milhares de aves ancoradas nas estruturas de madeira e uma festa popular ao lado de uma grande estátua. Nesta avenida muitas casas têm murais fantásticos alusivos ao dia a dia da cidade.
O núcleo central tem arvores muito grandes e ruas largas. Numa dessas vias passa um rio. Devido ao vento e á aridez do meio envolvente, há muita areia e pó. A praça central é mais aconchegante. Tem um bonito jardim e é envolvida por edifícios antigos de traça ocidental.
O almoço/lanche improvisado foi uma sandes muito saborosa no Lomito, cuja maionese foi catastrófica nos dois dias seguintes. Mesmo com recurso às farmácias locais. A cidade tem muitas farmácias devido ao mercado livre.
A deslocação à Terra do Fogo começou com chá e torradas e, mais uma vez, céu nublado e aguaceiros.

Porvenir
Porvenir

A travessia para a ilha foi no porto Três Puentes e o ferry era enorme, transportou imensos carros e camiões.
Muita gente arriscou apanhar frio e viajar no exterior, com a esperança de ver golfinhos. Muito frio para se alcançar o objetivo já quase no fim da travessia do estreito de Magalhães, próximo de Porvenir, quando se avistaram alguns golfinhos.
Porvenir tem piada. A sua localização e o fato de não se ter transfigurado torna a localidade genuinamente cortês. Não engana. As casas são coloridas e não há prédios com vários pisos. Por outro lado, o museu Fernando Cordero Rusque e a sede do município são edifícios comuns.

Selknam
Selknam

Foi uma terra de riqueza (e imigração) e muitas das casas ainda espelham esta época mas, agora, a comuna tem pouco mais de 5 mil habitantes. Por outro lado, ainda é muito escassa a influência do turismo. Verifica-se, aliás, pelo site do município como estão ainda a dar os primeiros passos. Os locais não interferiam com os turistas, não haviam quiosques, restaurantes, lojas de souvenires, câmbios… A vida continuava igual.
A aposta das autoridades locais é o turismo cultural. Do ponto de vista histórico, além da passagem de Fernando Magalhães, há a destacar a forte presença de croatas (os primeiros chegaram há mais de um século), a exploração de ouro nos finais do sec. XIX e, o ponto mais dramático, a extinção dos Selknam, com a morte de quatro mil pessoas, gente com quase dois metros de altura, pés grandes (Patagónia com os vários povos ameríndios e estatura muito superior à dos espanhóis deriva deste fato), caçadores e donos de terras. Um líder corrupto, uma comunidade de invasores sanguinários e o poder que se deixa corromper tem sempre o mesmo desenlace: vence a lei da força. A cidade e a região vive da memória deste povo, tinham expostas no museu fotografias e utensilios de caça e rituais de iniciação e há um memorial, um local com estátuas e informação sobre os Selknam.

Pinguin Rei
Pinguin Rei

O mais interessante é o património natural. A estepe, os rios, o mar e os golfinhos…A começar na Bahía Inutil, não muito longe de Porvenir - pouco mais de uma hora em estrada de terra batida.
A baía é muito baixa, os barcos encalhavam e foi declarada inútil. Não é bem assim, é o local de visita do Pinguin Rei.
É aqui que mudam de penugem, iniciam o processo de reprodução e alimentação das crias e, claro, divertem-se muito uns com os outros. É mesmo uma reinação. São bonitos, têm mais de um metro de altura e parte da penugem é amarela o que os torna vistosos. Vimos muitos a mudar o pelo e sete a brincar na água durante um longo período de tempo.
 O espaço está protegido e o acesso é pago.

Pinguin Rei
Pinguin Rei

Um membro da segurança explicou aos visitantes as caracteristicas desta espécie, o seu comportamento e a interacção que estabelecem. O espaço é amplo e até estava a ser utilizado por duas raposas. Pequenas, acastanhadas e também em risco.
A visita à Terra do Fogo prolongou-se por mais algumas horas mas em grande interesse.. Estepe patagónica, fazendas, muita estrada de terra batida e também muito pó. 
A saída da Terra do Fogo foi por Punta Delgada, através de um ferrie. Do lado continental havia uma fila de camiões que, segundo o guia, demoram mais de um dia em espera para a travessia.
Parámos numa localidade (Sombrero) com forte atividade petrolífera e gás natural, ao lado até havia um cinema interessante, mas a paragem foi para ir ao supermercado.
 No caminho de Punta Arenas, a pedido dos turistas (embora fizesse parte do plano da viagem), o motorista parou nas instalações abandonadas da Estância Gregório.
Foi interessante ver os armazéns e imaginar o antigo processo de tosquia, apesar do intenso cheiro que ainda mantinha a lã de ovelha que estava ensacada.

Ponto de honra era visitar a Pinguinera.

Isla Magdalena
Isla Magdalena

A agenda não foi fácil, tivemos de marcar a saída de Punta Arenas de madrugada para conseguirmos visitar a Isla Magdalena.
De novo a partida foi no porto Três Puentes. O barco, o Melinka, partiu com 40 minutos de atraso mas os passageiros foram avisados. O percurso de 35 km no estreito de Magalhães demorou quase duas horas. Foi uma viagem calma com muito frio no exterior. O barco estava cheio, muitos turistas e estrangeiros. O Melinka pode transportar veículos mas seguiam apenas passageiros. 
A atracagem demorou algum tempo. O portão metálico da zona central começou a baixar, devagar e aos nossos olhos surgia uma ilha sem quase nada, um farol no topo, pouca vegetação e a que existia era rasteira, aves e pinguins.

Pingüinos de Chile
Pingüinos de Chile

Logo na primeira visão, dezenas de Pingüinos de Chile. Ao todo, nesta fase do ano, costumava haver cerca de 60 mil casais na Isla Magdalena.
Os visitantes estão ansiosos e, de fato, é espetacular.
Do lado esquerdo dezenas de pinguins estão parados numa zona de terra. Do lado direito são outras dezenas que estão à beira mar. Notava-se que estavam a mudar a penugem. Aliás, ao longo de toda a ilha havia vestígios da penugem branca a voar devido à força do vento. 
Muitas outras espécies andam entre os pinguins mas concentram-se um pouco mais próximo da água. Haviam também muitas aves mortas, outras meio moribundas e duas estavam a comer restos de outras. Mais para cima, do lado da enseada, até ao extremo da montanha, haviam centenas  de aves que pareciam assumir o papel de vigilantes. Estáticas, paradas nas escarpas e com o bico virado para o mar.

Pingüino de Chile
Pingüino de Chile

Os visitantes têm um corredor de cordas  e não podem passar  nem tocar nos animais. Nem sempre as regras eram respeitadas. Pelo que nos disse uma guia portuguesa, que estava a viver em Punta Arenas, é na descida do farol que os turistas costumam desrespeitar as regras.
As pessoas formam uma fila colorida e conforme se afastam alguns pinguins aproveitam a aberta e atravessavam o caminho. 
A encosta estava repleta de buracos. Era o local preferido para os pinguins ficarem deitados ou em pé. Alguns com companhia e ajudavam-se mutuamente a mudar o pelo com o bico.
A visita foi de hora e meia e as guias tiveram de pedir com insistência aos visitantes para seguirem para o barco.
Chegámos a Punta Arenas e a nossa sorte foi ter marcado um táxi. Apesar da chegada do barco com dezenas de pessoas não havia táxis à espera dos potenciais clientes.
O voo para Puerto Montt foi de madrugada e o aeroporto de Punta Arenas parecia um acampamento com tanta gente a dormir com sacos cama nos dois pisos da gare do aeroporto.