Miraflores: relax e sangucheria

O plano era visitar Pachacamac mas foi adiado.

A prioridade foi ver o Bayern – Real Madrid.
Antes do jogo fui dar uma volta no MiraBus por Miraflores. Não era o desejado mas o que havia. Também não custou muito – 10 soles.

 

Miraflores
Miraflores

Miraflores é uma ilha em Lima. Do ponto de vista social, económico, segurança e também de arquitetura.
Lima foi construída numa zona desértica. Tem muita água subterrânea mas é árida. Além de que chove pouco. A humidade vem do mar e muitas vezes o tempo faz lembrar o da Cidade do Cabo. Ora está nublado, ora está sol. De dia está vento, à noite mais ameno.

Miraflores fica junto às escarpas, em frente ao mar  e tem vários parques.
O que mais se destaca para um turista: segurança. Além da videovigilância, há policia por todo o lado. Policia nacional,de trânsito, de turismo e policia privada junto das lojas, bancos, parques...

Esta parte da metrópole de Lima é frequentada pelo segmento mais rico da sociedade peruana. Zona residencial e de serviços. Há uma rua de colégios privados e num deles a mesada é de mil dólares.
Miraflores está cheia de hotéis, restaurantes, lojas de artesanato, venda de roupa, telecomunicações e bancos.

Cambistas
Cambistas

As ruas principais têm uma ciclopista, os passeios têm flores (por algum motivo se chama Miraflores) e vendedores com pequenas bancas que têm um blusão com uma designação. O mesmo se passa com vários homens e mulheres que estão junto aos bancos. Fazem câmbio e nos blusões azuis até têm escrito o nome de algumas moedas, além da referencia ao município de Miraflores.

O Íbis fica entre o Larcomar
e o Parque Kennedy.
Está muito bem situado e a diária de 55 euros compensa. 
À porta há um serviço de táxi que por 45 soles nos transporta para o aeroporto.

As ruas são muito movimentadas.
Há turistas por todo o lado. Mochileiros e pessoas com mais idade. Passeiam pelas lojas e à noite no Parque Kennedy. Vão ver as bancas de artesanato.
Durante o dia o fascínio do Parque são os gatos. Imensos.  Juntam-se debaixo das árvores, brincam e não se incomodam com os turistas.

A meio do parque um outro ponto de encontro dos turistas é o MiraBus.
A lista de Tours pode ser consultada num placard colocado ao lado. Os preços são muito mais baratos do que em outras agências.

É também nesta zona que se encontra muita fast food.
FKC, Mc Donalds, Donuts... partilham as ruas com os mais variados cafés e restaurantes. Ontem à noite passei em frente da La Lucha e a fila era enorme.
Hoje decidir ir ver a sangucheria. Era hora de almoço. Experimentei a sandes de frango no forno com uma chicha caseira. Tudo custou qualquer coisa como 15 soles. No pagamento pedem o nome e dão um objeto de madeira com um número. O cliente senta-se onde quiser, coloca o pin de madeira na mesa e passado poucos minutos está a ser servido.
À noite, regressei. Novamente muita gente. Desta vez, optei por carne assada com cebola e molho de tomate. A  bebida foi um sumo de papaia, ananás e banana.
A comida é saborosa. O pão é estaladiço e a carne abundante.
O custo da mão de obra não deve ser elevado (o salário mínimo
no Peru é de 267 US$, um dos mais baixos da América latina) porque a La Lucha tem muitos empregados. Todos muito jovens.
A sangucheria é uma das opções dos peruanos e, pelos vistos, também um grande sucesso entre os turistas. Eu fiquei fan.

Os cafés também são muito frequentados e à noite adequam-se aos hábitos locais que preferem uma refeição mais ligeira. Café com leite e um alimento mais leve.
As sangucherias e os cafés também vendem o pisco. O mais famoso é o Pisco Sour.
Até as lojas e artesanato vendem garrafas. Um souvenir para os turistas.

Perdão. Esqueci de dizer. O Bayern perdeu em casa com o Real por 4 a 0. O Real Madrid vai à final da Liga dos Campeões.

Pachacamac

Pequeno almoço abastado. Sumo, frutos, ovos e café.
Cheio de energia para visitar Pachacamac

Pouco antes das 10h já estava no Parque Kennedy, perto do ponto de venda da MiraBus para comprar o bilhete.

Duas senhoras, com alguma idade apanham do chão um cartão de memoria de 32 gb. Disse-lhes que era meu. Elas acreditaram. Até recomendaram que guardasse o cartão noutro lado porque era fácil perder da carteira. Senhoras simpáticas.

O tour deu para rever algumas das ruas de Miraflores.

Chorillos
Chorillos

É longo o percurso do autocarro.
Passa por vários distritos. Lembro-me de Barrancos,
San isidro Chichorrito e a panamericana.
Curioso, mudar de bairro é como atravessar uma fronteira. Mudanças bruscas. No trânsito, nas casas, nas cores, o verde substituído pelo castanho e cinzento...

Pachacamac
Pachacamac

A meio da viagem começam a surgir os morros com favelas, espaços desordenados e nem o santuário de Pachacamac resistiu à invasão de casas.
Tiveram de fazer uma vedação para impedir a construção de novas habitações dentro do sitio arqueológico.
Pelo meio, colinas de areia, que servem para fazer concreto e inundar a estrada de pó.

O oposto do lado do Oceano Pacífico. Primeiro uma reserva de aves. Depois,  longas zonas verdes. Por último, em frente a Pachacamac, um parque que tem vista para duas ilhas.
O município de Pachacamac procura fazer o seu marketing com o santuário e estes espaços verdes. O vale que circunda o sitio arqueológico e o Pacífico e que é atravessado pelo rio Lurin.

Pachacamac
Pachacamac

Pachacamac, é muito extenso.
Decorrem ainda trabalhos de arqueologia.
Fiquei com a ideia de que há mais para descobrir do que aquilo que já é visível.
O património inca por descobrir deve ser imenso.
Tendo em conta a relevância do templo para a cultura inca, a função que desempenhou em toda esta região do Peru e os rituais de oferendas, o valor arqueológico do santuário deve ser fabuloso.

Templo do Sol
Templo do Sol

O templo do sol marca o horizonte. É o ponto mais alto. Foi construído em quatro plataformas,  em forma de triângulo  e onde existe uma grande pirâmide sem o cume.

Do templo do sol consegue-se ver ainda múltiplos caminhos (cheios de estudantes) na parte interior  do sitio arqueológico.
Vários guardas estão em lugares cimeiros. Parecem estátuas.

Pachacamac
Pachacamac

O autocarro fez parte do percurso no interior do santuário.
Andámos a pé cerca de meia hora. Subir e contornar o templo do sol. A guia vai dando algumas explicações sobre a relevância do templo, a forma como foi construído... Por vezes parámos para contemplar a vista, essencialmente do lado do Pacífico.

 

Pachacamac
Pachacamac

Uma outra construção que capta o olhar é Acllawasi. Quase no fim do percurso. É um edifício enorme. Com muitas entradas e janelas. Era a residência das preferidas. As mulheres eleitas pelos incas para prestar serviços à comunidade.

A saída tem passagem pelo museu. É pequeno. Tem algumas peças (em particular utensílios e roupas), mapas e desenhos que ilustram a historia do santuário.
Ao lado, uma casa de banho e um pequeno ponto de venda de recuerdos e bebidas. Mesmo que não se compre nada, o lugar dá imenso jeito para se estar uns minutos à sombra. O sol estava forte.

 

Cavalo peruano
Cavalo peruano

O passo seguinte foi para turista ver. Uma breve exibição do cavalo peruano no pátio do restaurante onde somos convidados a almoçar. O lugar mais desorganizado onde comi em toda a viagem.

 

Cemitério
Cemitério

No caminho para Lima passamos ao lado de um cemitério. Muito grande, cuidado e com imensos espaços verdes.
Em todo o Peru é frequente ver cemitérios. Em alguns casos, em lugares protegidos. Noutras situações, sem qualquer muro  ou limitação territorial.
Em Lima também há vários cemitérios e este deve ser dos maiores. Algumas pessoas estão junto a campas. Outros estão à sombra com uma pose contemplativa e, lá mais abaixo, um grupo de pessoas está em círculo com um padre, num ritual. Uma oração e depois cumprimentam-se.

O Beijo
O Beijo

Regresso a Lima, a Miraflores, pelo Parque do Amor.
Lugar de encontros, com uma vista para o Pacífico e espaço verde onde muita gente se senta e conversa. E se beija. O parque é uma homenagem ao amor.
O olhar não sai da estátua do escultor peruano
Victor Delfín. “El beso” é uma obra de arte fantástica.  E enorme, tem 12 metros de largura e 3 de altura.

O resto do dia foi ver a segunda parte da derrota do Chelsea, em casa, frente ao Atlético de Madrid e uma saída para compras.
Quem gosta de souvenirs, tem muito à escolha. Várias lojas em Miraflores e algumas especializadas em artesanato.
Quem não gosta de “lixo” em casa uma semana depois da viagem, pode comprar um pacote de mate de coca. Vendem nos supermercados e são muito mais baratos do que nas lojas para turista. Além de mate, também há rebuçados.

No dia seguinte aproveitei a manhã antes da partida para o aeroporto.
Uma visita à galeria do edifício do município de Lima que fica próximo do Parque Kennedy permitiu-me descobrir Guillermo Montesinos Pastor.
exposição fazia parte da  II Bienal de Fotografia de Lima.
Os trabalhos de Guillermo Montesinos Pastor dão a conhecer o Peru do inicio do Sec. XX, em particular da burguesia de Lima e Arequipa, uma cidade do sul do país.
Pastor captou também imagens fantásticas de cenas naturais. Muitas fotos do céu, nuvens, horizontes. Tiradas a partir da sua casa.
Segunda narra uma das filhas, era um ritual. De manhã, bem cedo, captava o nascer do sol.

Uma última experiência desta manhã foi uma zaragata entre dois motoristas. Um deles conduzia uma combi. O clima não está bom para os motoristas das combis.
Parte significativa do transporte de passageiros em Lima (e no Peru) é através das combis.
Não é recomendado para turistas. Por ser perigoso, com assaltos e, vi noticias na televisão, acidentes e o motorista desaparece.
Em meios urbanos um dos problemas é a condução agressiva. A sinistralidade automóvel já é elevada e o número de atropelamentos é muito alto. A contestação tem subido de tom e para hoje foi marcada uma vigília no Parque Kennedy. Os motoristas das combis são o alvo preferencial da Ciudadanos Contra la Impunidad en el Sistema de Transporte (CIST).

Vendedor ambulante
Vendedor ambulante

Viajar de táxi também pode ser um sarilho. Numa praça de Lima, um homem vende placas de táxi. Qualquer um pode comprar e trabalhar como taxista. Não há controlo. Basta um mero registo. As recomendações  são para evitar apanhar táxis na rua. Chamar por telefone é o mais seguro.

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