Coqueza
Coqueza

A noite foi passada em Coqueza.
Fica a cerca de 135 km de Uyuni em linha reta, que o mesmo é dizer, pelo salar.

Os meus colegas de viagem foram escalar o Tunupa.
Os mais de 3.600 metros de altitude do salar já me obrigavam a tomar os comprimidos. 
O ponto mais alto do Tunupa tem mais de 5.300 metros de altura em relação ao nível do mar.
 Dispensei.
Mais ainda porque a noite foi mal dormida. Fez muito vento e durante a noite o barulho das chapas do teto pareciam tiros.
O alojamento é rústico. Tem vários quartos e de vários tamanhos. A casa de banho é em último recurso e ao lado há um tereno.

Tunupa
Tunupa

Madruguei para tirar fotos.

Tudo fechado. O pequeno almoço ficou para depois e o banho para o dia seguinte.

O nascer do sol no salar é muito bonito.

O sol nasce detrás de uma montanha, lá ao longe, e o reflexo expande-se pelo sal. De forma mais intensa em locais onde existe água. 


O Tunupa refete-se na água, como também a cordilheira a oeste de Coqueza.

Nascer do sol em Coqueza
Nascer do sol em Coqueza

Uma fusão de cores dá vida ao cenário. Minutos depois as cores e as sombras mudam de intensidade. 
Ganha força a luz no sal e o reflexo do céu na água mas no horizonte persistem os tons dourados.

Alguns turistas também madrugaram. Foram ver o nascer do sol mas meia hora depois partiram em jipes.

O passeio seguinte no salar foi a uma pequena lagoa . Local de abrigo de algumas aves e de três flamingos.
Não se importaram de eu andar por perto.

Flamingos na salar
Flamingos na salar

Pouco depois chegaram mais dois. Num voo rasante.
Tudo calmo. Um mar branco, ouve-se apenas o vento.

A parte da terra que faz a transição para o salar tem vegetação rasteira. Tem pequenas entradas de água, local de pasto para os llamas e ovelhas. Nota-se pelos vestigios. Um cão veio ter comigo. Levou duas bolachas e ficou todo satisfeito. Fiz um amigo.

Os pouco mais de uma centena de habitantes de Coqueza ainda dormem.
O sol brilha nas construções de pedra. Casas e muros ganham uma cor dourada.

Tunupa
Tunupa

O Tunupa também ganha forma e cores mais intensas.

Lá no alto ainda continua parado o jipe do nosso guia.
Por vezes junta-se mais uma viatura. Outros turistas que vão escalar o vulcão.

Continuo a vaguear sozinho no salar.
A objetiva não se confronta com corpos, nem sinais da civilização. Apenas as pedras que afunilam o caminho para a entrada em Coqueza.

Salar em Coqueza
Salar em Coqueza

Só ao fim de meia hora vejo ao longe mais um jipe, Em direção a Coqueza.
A forma é um pouco indefenida. A luz intensa dificulta o olhar. Fico curioso como, nas mesmas circunstâncias, reagirá a lente da Nikon.

Regresso ao alojamento. Pequeno almoço e um passeio pela aldeia.
Uma subida de pedras divide o caminho principal.
Para o lado este há vestígios de habitações abandonadas. Talvez devido a uma erupção do Tunupa. Um muro faz a separação do terreno para o salar. O muro é de pedra e foi construído de forma muito particular. Pedras arredondadas e que se seguram mutuamente sem qualquer massa. Os muros deixam passar alguma luz, permitem ver para o outro lado. Servem mais para definir linhas territoriais.
No extremo existe um hotel.


O largo principal de Coqueza
O largo principal de Coqueza

Para oeste, segue-se em direção ao centro da aldeia. Casas pequenas. De pedra e com pequenos terrenos atrás. Para agricultura ou para guardar animais.
Esta estrada termina no pequeno largo onde existe uma igreja e um posto de turismo.

Dois a três locais andam por aqui. Há mais jipes de turistas  do que habitantes. Têm lojas muito pequenas e armazenam garrafas de água para vender aos turistas. Muitos fazem aqui uma breve paragem. Para recolha de informação sobre como aceder ao vulcão.

É por aqui que se acede ao caminho que vai para o Tunupa. Sempre a serpentear a montanha. Vão de jipe e têm de parar a meio. O resto é a pé.

Pouco antes do meio dia os meus companheiros de viagem regressam da escalada. Não chegaram ao topo do Tunupa. Estiveram perto e deu para ver a cratera mas tinham de regressar porque o dia ia terminar em Uyuni.

Cactos dominam a ilha
Cactos dominam a ilha

Nova travessia do Salar. Agora em direção à Ilha do Pescado
Trata-se de uma montanha que fica no meio do deserto de sal e é dos poucos locais nesta região que a vida biológica tem alguma atividade. Principalmente catos. Por todo o lado. Alguns têm cerca de dez metros de altura e algumas centenas de anos. São da espécie que faz parte do imaginário dos westerns norte-americanos.

A ilha parece mais pequena. Engano, o comprimento é de cerca de 2,5 km.

Junto ao salar há um restaurante, casa de banho e a bilheteira. Pouco mais.
A entrada custa 30 bs. O acesso é feito através de escadas naturais. Para baixo, para cima. Cansa um pouco, mais ainda por causa da altitude.

Vista da ilha
Vista da ilha

A vista vai ganhando horizonte e um branco cada vez mais intenso. Por vezes quebrado por um jipe ou um autocarro que transforma  a monotonia dos brancos. 


A ilha é um ponto de encontro dos vários percursos das agências.
São dezenas de jipes e muitos dos turistas aproveitam umas bancas para almoçarem.
Quase todos são mochileiros, mas não de “pé descalço”.
Perguntei ao nosso guia como se orientam no salar. Respondeu que é através das montanhas. Para muitos turistas que vêm por sua própria conta, estas ilhas servem como um farol.

Sempre a andar. Pais e filho
Sempre a andar. Pais e filho

Quando já tinha terminado a visita apareceu um casal e uma criança em duas bicicletas. Mais um. O que parecia invulgar, afinal é uma rotina.
Em cada paragem surgem aventureiros de bicicleta.
 Mais tarde fiz uma pesquisa de imagens no Google. Afinal, não é assim tão invulgar. Há mesmo muita gente a aventurar.se de bicicleta no salar. Atenção: telefones móveis não funcionam. Só por satélite e o preço é incomportável.

Só é pena não haver um pouco de água.
Pouca que seja, mas o suficiente para se fazer o pleno do salar.
Estar no céu com uma máquina fotográfica!

Fotos da Bolivia