salar uyuni

Um lugar único.
O olhar perde-se no horizonte. Sem fim e ofuscado pelo brilho do sal.
Estamos próximo do céu e, com um pouco de água, no maior espelho do mundo.
Não é fácil o acesso e exige vários dias de visita. Mas, depois, é eterno. Inesquecível.

Fiz a reserva na Blue Line para a viagem ao Salar de Uyuni. Mas queria ir às lagoas e o roteiro que tinha reservado não dava. E não tinha outro. Sugeriu-me procurar outro operador.
Na rua é o que há mais. Mulheres a vender tours. De 2 a 5 dias. Para o norte do Salar, para as lagoas, com destino ao Chile...
Fiz a reserva com uma das mulheres. A partida estava marcada para as 11 e seguia na companhia de cinco israelitas.
Tudo treta. A maior parte dos jipes já tinham partido e eu em terra. Depois de uma longa e irritante discussão, acabou por me devolver o dinheiro e transportar para o cemitério dos comboios onde me ia juntar a outro grupo.  O destino não era as lagoas mas o vulcão de Coqueza.
Afinal, acabei por ir na Blue Line. Os meus companheiros foram um casal mexicano e um casal de franceses que tinham feito voluntariado na Bolívia.

Cemitério comboios
Cemitério comboios

cemitério de caminhos de ferro  é o ponto de partida da viagem. Dezenas de jipes parqueiam aqui ao principio da manhã.

Uyuni tinha uma ligação ferroviária para transporte de minério. Com o fim da extração no salar, a ferrovia deixou de ter qualquer função.
O que resta, na verdade, são muitos vagões “urbanizados” com “street art”. Estão quase todos pintados, com nomes, figurações... Os turistas sobem ao que resta da estrutura, tiram fotos, fazem pose, saltam...  A paragem é de cerca de meia hora. Para ambientar ao deserto, às estradas de pó e a um horizonte plano.

Salar Uyuni
Salar Uyuni

A paragem seguinte é na entrada do salar. Várias pirâmides de sal. Os bolivianos fazem a extração mas são poucas quantidades. O salar está protegido embora, a médio prazo, possa sofrer alterações com a descoberta de lítio, um metal com grande valor económico e que serve para as baterias dos telemóveis.

As pirâmides são um novo pretexto para fotos. Grupos juntam-se e aproveitam para fazer efeitos óticos.
Infelizmente choveu pouco. O salar, com a chuva, fica com uma fina camada de água que funciona como um espelho. Abril não é altura de chuvas, mas persiste em alguns locais uma ligeira camada de água. Só que, este ano, choveu pouco e os vestígios de água são escassos. O grande objetivo da viagem, as fotografias do “maior espelho do mundo”, vai ficar frustrado.

Salar Uyuni - Dakar
Salar Uyuni - Dakar

A paragem seguinte é mais um local para turista. O governo boliviano conseguiu garantir a passagem do Dakar. Foi criado um edifício de sal para marcar o inicio de uma etapa. O edificio permanece, construído com tijolos de sal e em frente uma estrutura onde estão hasteadas bandeiras de vários países. Na verdade, esta estrutura serve mais para potenciar a imagem do governo e do salar porque o rally contornou o salar devido à chuva. O que não impede o governo de promover marketing com a frase “ Nunca el Dakar se corrio en el cielo”.

Na zona das pirâmides de sal, a algumas dezenas de metros, passou um casal numa bicicleta.

Franceses no salar
Franceses no salar

Chegaram agora. São franceses e seguem em direção à ilha do Pescado.
Guiam-se por GPS e em caso de dúvida com alguém que esteja a passar por perto. Têm roupa e uma tenda térmica que os protege do frio intenso durante a noite. Nada de preocupações, dizem que vão andando sem pressa. A curtir.
Também aproveitam para pedir que lhes tirem um foto.

Rodeados do salar a vista é espetacular.

Salar uyuni
Salar uyuni

Tudo branco. Perde-se o olhar.
Uma luz muito forte que nem os óculos escuros conseguem filtrar. Andar sem a proteção dos óculos é perigoso.

A altitude e o sol direto obrigam também a beber muita água e a proteger a pele.

Em alguns locais o sal faz-se renda. Pequenos bordos circulares, uniformes multiplicam-se pelo horizonte.

Foi numa destas zonas que parámos  para o almoço.
Nada em volta.
Lá ao longe, de vez em quando, passava um jipe e aqui e ali os vestígios dos rodados das motas e dos jipes.

Coqueza
Coqueza

A meio da tarde fomos parar a Coqueza, onde está o vulcão Tunupa.
O salar afunila numa entrada de pedra. São as boas vindas da comunidade de Coqueza. Lá no alto vê-se a cratera do vulcão.  A aldeia é muito pequena, com meia dúzia de casas e um largo onde está a igreja e o posto de turismo. Os muros são de pedra arredondada e a vista para o salar é magnífica.

O dia termina com o grupo a preparar a subida ao Tunupa, na madrugada seguinte. A partida está marcada para as 4.30h com um guia local. O sistema é rotativo. Cada dia é um guia diferente.

Fotos da Bolivia